ESPIRITUALIDADE

Além dos benefícios para a saúde ao escolher uma dieta vegetariana, outros o fazem por motivos econômicos ou ecológicos. Outros por terem uma conduta-ética que os fazem discordar da matança de animais; outros ainda, são veganos por motivos espirituais.

Na verdade, o número cada vez maior de adeptos do veganismo entre os que preocupam-se com o equilíbrio ecológico, com o respeito à vida e a evolução espiritual é um forte indício de que a opção vegana é a mais adequada para os homens e mulheres do Terceiro Milênio.

"Sinto que o progresso espiritual requer, em uma determinada etapa, que paremos de matar nossos companheiros, os animais, para a satisfação de nossos desejos corpóreos." (Mahatma Gandhi) 

 

"Crueldade com animais é como se o homem não amasse Deus." (Cardeal John H. Newman)

Não Tirar a Vida

Uma das mais importantes razões para não comer carne é a de que não devemos tirar a vida, até mesmo de um animal, desnecessariamente.

Até onde for possível, o alimento deverá ser colhido entre os grupos de itens onde o desenvolvimento da consciência é comparativamente pequeno, ou seja, se os vegetais forem acessíveis, os animais não devem ser abatidos.

Além do mais, antes de matar qualquer animal que tenha consciência desenvolvida, considere repetidas vezes, se é possível viver com um corpo saudável sem tirar vidas.

 

"O homem precisa de um novo tipo de relação com a natureza, uma relação que seja de integração em vez de domínio, uma relação de pertencer a ela em vez de possuí-la. Não comer carne simboliza respeito à vida universal." (Pierre Weil)

 

"Meus companheiros seres humanos, não contaminai vossos corpos com alimentos pecaminosos. Temos o milho, temos as maçãs curvando-se dos galhos com seu peso e uvas crescendo nas vinhas. Há ervas de agradáveis sabores e vegetais que podem ser cozidos e amaciados no fogo... A terra proporciona um suprimento liberal de riquezas em forma de alimentos inocentes, e vos oferece banquetes que não envolvem derramar de sangue ou matança; só as bestas satisfazem sua fome com carne, e nem mesmo todas elas, porque os cavalos, o gado, e carneiros vivem apenas da grama." (Pitágoras)

 

Energia Vital

O princípio da energia vital afirma que certos alimentos contém mais força vital (prana) do que outras. A importância da vitalidade nos alimentos era reconhecida por Pitágoras, que dizia: "Apenas alimentos vivos e frescos podem dar condições ao homem de aprender a verdade".

O romancista russo Tolstoy disse: "Alimentar-se da carcaça de um animal morto é algo de muito mau gosto".

Sabemos que toda a vida depende da energia do sol, e esta é armazenada nas plantas verdes, nas frutas, castanhas, cereais, etc. Quando comemos estes alimentos, consumimos energia solar diretamente. Em outras palavras, nos alimentamos de comida "viva" com quase toda energia solar ainda intacta.

Muitas plantas retém sua energia vital por muitos dias após serem colhidas, sendo ainda capazes de brotar e crescer. Por outro lado, a carne fica em processo de decomposição por diversos dias.

Por milhares de anos os iogues e os sábios tem nos ensinados que tanto a mente quanto o corpo são profundamente influenciados pelo que comemos. "Você é o que come", é um ditado que se aplica tanto ao corpo quanto à mente.

Se todos virassem vegetarianos, não seria pior para os animais, porque muitos deles nem nasceriam?

Essa questão é de fato muito profunda. Como sabemos, a vida nas fazendas de criação é tão miserável que é difícil justificar que estamos fazendo um favor aos animais trazendo-os à existência para serem confinados em verdadeiros infernos. A resposta a esta questão pode estar além do nosso entendimento. Alguns acreditam que os animais também tem a sua trajetória de evolução, mas se usarmos do bom senso cosmo-ético, trazer a vida seres já premeditando sua exploração, tortura e assassinato com certeza não é a melhor assistência que podemos oferecer aos animais. 

Se os animais não reencarnarem nas fazendas industriais da tortura, o maxi-mecanismo da vida se encarregará de assistir a evolução deles de maneira coerente e sabia.

Fato é que: em circunstâncias normais onde nossa sobrevivência não esteja em risco (neste contexto: ameaçada pelo animal ou devido a falta de opção de outra alimentação) não é de nenhum bom senso ético explorar e assassinar os animais.

Nota do site: Citando um verso religioso: "Deus quer misericórdia e não sacrifício".

Ter uma alimentação a base de vegetais, mas estes também não são seres vivos? Não seria isso também uma violência?

Sim, o vegetais são seres vivos, mas possuem um tipo de consciência diferente dos animais, onde o sistema nervoso é praticamente imperceptível se comparado com o sistema nervoso de um animal.

Somos seres humanos em evolução e como citado no artigo Aspectos Culturais / Anatômia e Fisiôlogia, nosso organismo naturalmente esta mais relacionado à uma dieta vegetariana do que carnívora.

Tantos os animais quanto os vegetais tem vida. E no atual momento de nossa condição evolutiva (habitando o soma físico e as características genéticas atuais) precisamos nos alimentar para nos mantermos (os Vedas dizem: jivo jivasya jivanam: uma entidade viva é alimento para outra na luta pela existência).

Todos temos livre arbítreo para fazermos nossas escolhas. Enquanto ressomados neste planeta e no atual nível que nos encontramos é natural cometermos erros. Mas a grande sacada é tentar errar o menos possível. Dai vem a Teoria dos Males: Quais das opções é menos pior? Qual é mais cosmoética dentro das nossas opções? Qual menor sofrimento eu causo em outro ser para atender as necessidades nutricionais de sobrevivência?

Além de comer carne ter as repercussões negativas citadas em outros artigos, comer vegetais com sistema nervoso imperceptível é de efeito milhonésimamente menos agressivo a vida, do que a tortura que o "animal de abate" sofre durante toda sua vida na prisão, e os gemidos e dor de quando são assassinados.

Também deve ser lembrado que frutas maduras e muitos vegetais, nozes, cereais etc. praticamente já estão separados de seu corpo formador quando colhidos.

O Velho Testamento e as Escrituras Cristãs

As Escrituras Hebraicas citam: "Não há sacrifício animal no mundo ideal de Deus, conforme representado no Jardim de Éden e na montanha sagrada de Deus prevista pelos profetas (Isaías 11). De fato, o Jardim é inteiramente vegetariano (Gênesis 1:29), e Deus nunca pediu sacrifício animal" (Jeremias 7:22).

Micah, Amos, Isaías, Jeremias, e Oséias todos condenam sacrifício animal e declaram explicitamente que seres humanos criaram o sacrifício animal como desculpa para consumirem carne: "Eles oferecem sacrifícios a mim porque eles são os que comem carne, porém Yahweh não aceita seus sacrifícios, pois Ele está atento ao pecado deles e lembra de sua maldade." (Oséias 8:13).

As Escrituras Hebraicas tem sido usadas ao longo do tempo para justificar muitas atrocidades como: a escravidão, a caça as bruxas onde muitas pessoas foram queimadas vivas durante a Inquisição (o que permitia o clero ter poder sobre toda a sociedade), até o abuso de esposa e crianças. Galileu foi condenado pelo Papa a ser torturado até retirar a heresia de que a Terra gira em torno do sol, o que contradiz Gênesis. Segundo Levítico, bruxas devem ser queimadas, e adúlteros, crianças desobedientes, e pessoas que violam o Sabá devem ser apedrejadas até a morte. Leprosos e os inválidos eram impuros e não deviam entrar no templo. Um pobre indivíduo no livro de Números (16) foi apedrejado até a morte por catar madeira no Sabá. Ele é morto por Moisés e os israelitas enquanto Deus dá as ordens. Lot é considerado justo, mesmo depois de oferecer suas filhas virgens aos homens fora do portão na história de Gênesis (19).

(...) Deus é amor, como Suas palavras através dos profetas mostram claramente. O velho Testamento é mais uma história do que uma explicação da intenção de Deus, com exceção do Jardim de Éden (o mundo ideal de Deus, o qual somos todos chamados a buscar) e as visões proféticas (em que Ele nos diz que conhecê-Lo é ser justo, misericordioso, e humilde). Comer carne é parte da criação caída, tal como apedrejar em caso de adultério e uma "moralidade de olho-por-olho", que ambos não são exigidas por Deus segundo uma leitura provincial das Escrituras Hebraicas, mas são denunciadas pelos profetas, e condenadas por Jesus como interpretações errôneas.

 

As Escrituras Cristãs (Novo Testamento)

A condenação de Jesus ao sacrifício animal na entrada do templo foi enfática: "- Deus não quer sacrifício e sim misericórdia". Este ato  associado a cultura palestina da época de comer carne, teria sido entendido por seus ouvintes como uma afirmação ao vegetarianísmo.

Contudo, nos quatro Evangelhos incluídos em nosso Cânone, Jesus não é visto condenando a escravatura, a submissão de mulheres e crianças, ou muitas outras injustiças. E assim, estas e outras injustiças tem sido justificadas pelos Cristãos ao longo dos anos.

 Porém a mensagem central de Jesus, ou seja misericórdia e compaixão, não pode ser reconciliada com o que sabemos que ocorre nas fazendas intensivas e matadouros, talvez os locais mais violentos e sem misericórdia nesta Terra.

Jesus falava em aramaico, os Evangelhos foram escritos originalmente em Hebraico, e nossas traduções mais antigas são versões gregas do século IV aprovadas e alteradas pelo carnívoro Imperador Constantino. Todas versões anteriores foram destruídas como heresia. Segundo alguns estudiosos, Jesus condena comer carne, mas nos Evangelhos que foram suprimidos e passagens que foram retiradas por escribas comedores de carne na igreja antiga. O "Essene Gospel os Peace" (Evangelho Essênio da Paz) é um exemplo (...)

Conclusão: Sacrifício animal nunca foi parte do plano de Deus, conforme declarado em Gênesis 1. Sacrifício animal foi condenado por Deus através dos profetas e por Jesus durante sua vida inteira. A oposição de Jesus ao sacrifício animal é forte evidência de sua dieta vegetariana.

 

Como citado no Artigo: Aspectos Culturais / Anatômia e Fisiôlogia o ser humano naturalmente não tem organismo de formação carnívora. Se Deus fez o corpo humano com as propriedades de um herbívoro / frugívoro, em algum momento aconteceu de nos desviarmos  de nossa natureza criando uma tendência antí-cosmoética.

Leia Mais em (a página sugerida tem um desabono: abre vários pop-ups duvidosos) Jesus Vegetariano - FAQ

Visão Espírita

Para quem acredita que os textos espíritas não tratam da questão dos animais e por isso prefere não pensar no sofrimento dos mesmos, seguem algumas mensagens de mentores amigos e uma passagem do Evangelho segundo o Espiritismo:

 

 

"- Por que tamanha sensação de pavor meu amigo? Saia de si mesmo e quebre a concha da interpretação pessoal e venha para o campo largo da justificação. Não visitamos, nós ambos, na esfera da crosta, os açougues mais diversos? Lembro-me de que em meu antigo lar terrestre havia sempre grande contentamento familiar pela matança dos porcos. A carcaça de carne e gordura significava abundância da cozinha e conforto do estômago. Com o mesmo direito, acercam-se os desencarnados, tão inferiores quanto já o fomos, dos animais mortos, cujo sangue fumegante lhes oferece vigorosos elementos vitais. Sem duvida, o quadro é lastimável. Porém, não nos compete lavrar as condenações. Cada coisa, cada ser, cada alma, permanece no processo evolutivo que lhe é próprio

(...)

 

 

 "... Por que tamanha estranheza? Nossas mesas não se mantinham as custas das vísceras dos touros e aves? A pretexto de buscar recursos protéicos exterminávamos frangos, carneiros e cabritos incontáveis. Sugávamos os tecidos e roíamos os ossos, não contentes em matar os pobres seres que nos pediam roteiros de progresso e valores educativos para melhor atenderem a obra do pai. Dilatávamos os requintes da exploração milenar e infringíamos a muitos deles determinadas moléstias para que nos servissem ao paladar com máxima eficácia. Todavia devemos esclarecer que no capítulo da indiferença para com a sorte dos animais, da qual participamos no quadro das atividades humanas, nenhum de nós pode em sã consciência atirar a primeira pedra.

Os seres menores do planeta não nos encaram como superiores generosos e inteligentes, mas como verdugos cruéis. Confiam na tempestade furiosa que perturba as forças da natureza, mas fogem a aproximação do homem a qualquer condição, excetuando-se os animais domésticos que, confiando em nossas palavras e atitudes, aceitam o cutelo no matadouro quase sempre com lágrimas de aflição, incapazes de discernir com o raciocínio embrionário, onde começa nossa perversidade e onde termina nossa compreensão."  (do livro: "Missionários da Luz", cap. XI "Intercessão", pelo Espírito de André Luís, psicografia do médium Chico Xavier)

 

 

"O sentimento mais apropriado a vos fazer progredir, domando vosso egoísmo e vosso orgulho, aquele que dispõe vossa alma à humildade, à beneficência e ao amor do próximo, é a piedade. É essa piedade que vos comove os sentimentos mais íntimos, diante do sofrimento alheio, que vos leva a estender a mão caridosa e vos arranca lagrimas de simpatia. Jamais sufoqueis em vossos corações essa emoção celeste, nem façais como estes endurecidos egoístas que fogem dos aflitos, para que a visão de suas misérias não lhes perturbe por um instante sua feliz existência. Temei ficar indiferentes, quando puderdes ser úteis. A tranqüilidade conseguida ao preço de uma indiferença culposa é a tranqüilidade do Mar Morto,  que oculta nas profundezas de suas águas a lama fétida e a corrupção". (Espírito de Michel - Bordeaux- 1862- O Evangelho segundo o Espiritismo- Cap XIII, sobre a Piedade)

 

 

 

"Essa é a luta multissecular entre encarnados e desencarnados, que se devotam ao vampirismo. É desse modo que as enfermidades do corpo e da alma se espalham nos mais diversos climas. Os homens, que se julgam distantes da harmonia orgânica sem o sacrifício dos animais, são defrontados por gênios invisíveis que se acreditam incapazes de viver sem o concurso deles. Quem devora os animais, incorporando-lhes as propriedades ao patrimônio orgânico, deve ser apetitosa presa dos seres que se animalizam. Os semelhantes procuram os semelhantes. Essa é a lei." (do livro "Contos e Apólogos" Capítulo: "O Enigma da Obsessão" pelo espírito de Irmão X, psicografia do médium Chico Xavier ) 

 "Preocupado com a sobrevivência além-túmulo, você pergunta, espantado, como deveria ser levado a efeito o treinamento de um homem para as surpresas da morte. A indagação é curiosa e, realmente, dá o que pensar.

Creia, contudo, que, por enquanto, não é muito fácil preparar, tecnicamente, um companheiro à frente da peregrinação infalível. (...)

Comece a renovação de seus costumes pelo prato de cada dia. Diminua gradativamente a volúpia de comer carne de animais. O cemitério na barriga é um tormento depois da grande transição. O lombo de porco ou o bife de vitela, temperados com sal e pimenta, não nos situam muito longe dos nossos antepassados, os tamoios ou os caiapós, que se devoravam uns aos outros." (do livro:Cartas e Crônicas mensagem do Irmão X, psicografia do médium Chico Xavier, sob o tema "treino para a morte")  

     

"... quase todos os mundos que lhe são dependentes já se purificaram física e moralmente, examinadas as condições de atraso moral da terra, onde o homem se reconforta com as vísceras dos seus irmãos inferiores, como nas eras pré-históricas de sua existência..." (do livro: "A caminho da luz", cap. III "raças adâmicas/ o sistema de capela" pelo espírito de Emmanuel,  falando sobre um planeta mais evoluído que a terra, psicografia do médium Chico Xavier)

 

 

"... Um anjo encarregado por Deus de fazer um relatório sobre a terra. chegou aqui encontrou um animal arando o campo (supostamente o homem), açoitado por uma espécie de demônio. Depois, viu outro animal no curral, com outro demônio espremendo suas tetas e tirando seu leite, em prejuízo do filho dele que berrava a distância. Mais tarde, viu um enorme animal sendo morto, suas carnes sendo comidas por pequenos demônios e seu couro sendo usado em calçados. Já era o bastante. ele anotou no seu bloco:

O homem é um ser muito elevado, bom e paciente, merecedor do amor de Deus.

E decidiu conversar com o demônio:

"- Por que fazes isto com o homem? Por que o maltratas e o matas se ele te da tudo?"

E o demônio desfez o mal entendido:

"- Eu sou o homem. Ele é o boi.

O anjo ficou perplexo e enviou o mais rápido possível seu relatório a Deus."  (Do livro: "As vidas de Chico Xavier", Capítulo: "Chuva de Pétalas", pelo espírito do irmão X, psicografia do médium Chico Xavier, autor do Livro: Marcel Souto Maior)

 

 

 "Espíritos da Natureza, especialmente designados pelos Planos Superiores, cuidam dessas almas, providenciando seu retorno à vida terrena, ou então, separando os que mais se destacam, por nobreza de ações. Esses últimos, quais criancinhas matriculadas em escolas maternais, recebem de destacados especialistas celestes, os primeiros raios de raciocínio. Daí, não será demais afirmarmos que à frente, nas esquinas do tempo, esses rudimentares alunos, ao reencarnar, estarão com as primitivas formas orgânicas humanas...

     Porque, embora seja superior à nossa capacidade em palmilhar os desígnios divinos, não nos padece dúvida, conquanto intuitivamente, que os homens de hoje, foram exatamente os animais de ontem...

    Indo além em nossas humildes elocubrações, pedindo perdão ao Criador pela nossa talvez descabida porém sincera ousadia em tentar decifrar tão elevados mistérios, podemos imaginar que considerando a multiplicidade de mundos no Universos, nessa primeira etapa hominal serão alocados em um deles, consentâneo com seu nível evolutivo." (Espírito de Van Der Goehen - Médium: Eurípedes Kühl. - O Quartel e o Templo)

 

"Não digas que a grandeza de Deus te dispensa do Bem a realizar. Deus é a Luz do Universo, mas podes acender uma vela e clarear o caminho para muitos Seres dentro da noite. Deus é Amor, entretanto, onde a necessidade apareça, guardas o privilégio de oferecer a migalha de socorro que comece a restaurar o equilíbrio da vida. Lembremo-nos de que Deus pode fazer tudo, mas reservou-nos algo para realizar, por nós mesmos, de modo a sermos dignos de seu nome." (do livro: "Livro de Respostas” pelo espírito de Emmanuel)

 

 


REFLEXÃO

Cada um tem livre arbítrio para tomar suas decisões, inclusive na hora de escolher o alimento que vai colocar em seu prato ou na hora de fazer suas compras, escolher ou não produtos que foram são provenientes dos animais ou foram testados nos mesmos. De acordo com nosso código de conduta do coração, julgar se deve se esquivar de qualquer culpa ou não.

A reflexão que fica é: temos agido corretamente com as espécies que dividem o planeta conosco? Até onde se tem o direito de usar irmãos de outras espécies em benefício próprio? Os animais são nossos para vestir, comer ou fazer experiências? Independente das respostas, fato é que eles sentem dor, medo e fome, e têm o mesmo interesse em viver que qualquer ser humano.

Perante o Universo os animais estão sob nossa tutela, e seria de bom senso ético auxilia-los na jornada de sua evolução, mas o que fazemos na maioria das vezes é exatamente o contrário: exploramos e torturamos.

Enquanto espíritas entendemos que os animais são dotados do princípio inteligente divino. Conceito diferente de outras instituições que dizem que os animais não têm alma (assim como essas outras instituições já disseram no passado que: mulher, índios ou negros não tinham alma, fato hoje que qualquer um concorda ser um absurdo).

Avançamos bastante em nossa ética humana, quando a sociedade vem aprendendo a conviver com as demais raças, crenças e diferentes orientações sexuais.  Mas e quanto as demais espécies de seres sencientes (que possuem sistema nervoso central desenvolvido)? Estas sub-julgamos ser uma vida sem valor, que existem para serem usadas e exploradas não nos importando se possuem sentimentos, se criam laços de família ou se possuem interesse em viver. Mas isso pode ser um grande engano. Como disse Olympia Salete: “A vida é Valor Absoluto. Não existe vida menor ou maior, inferior ou superior. Engana-se quem subjuga um animal ou alimenta-se de sua carne,  por julga-lo um ser inferior. Diante da consciência que abriga a essência da vida, o crime é o mesmo."

E podemos falar nas conseqüências da pecuária, que esta devastando a natureza deste planeta (a maior devastação das florestas é para se produzir grãos e pastos que se originam aos animais de abate e não à humanos. Também falar na poluição que essa criação industrial causa.  E por último na questão da saúde: todos os hormônios e antibióticos que os animais recebem acabam indo parar no leite, ovos e carne que ingerimos (nesta última ainda se aplicam nitratos para sua conservação). Estes detalhes podem ser os responsáveis por muitas doenças e obesidade.

Alguns espíritas justificam seu comportamento ressalvando a questão 723 do livro dos espíritos, que argumenta que a carne nutre a carne e é necessária para ser forte.  Mas não nos esqueçamos: “Espiritismo é fé raciocinada”.  Um cavalo, um elefante, um gorila, um boi (entre tantos outros) são animais herbívoros e são demasiadamente fortes e bem nutridos.  O livro dos espíritos tem mais de um século de existência  e com certeza na época em que foi escrito, não havia  condições de se radicalizar de maneira brusca as crenças e costumes de um povo que se encontrava descrente de muitas coisas. E quando perguntado aos espíritos em outra questão, a 724, se havia alguma validade em se tornar vegetariano, a resposta foi que sim, que era um ato meritório.

A espiritualidade soube ser sutil e Alan Kardec foi muito sóbrio quando disse que sua obra não estava completa e haveriam novos aprendizados a humanidade.

Lembremo-nos:  Jesus ensinou sobre a compaixão e seus exemplos sempre foram embasados na paz e no amor entre todos os irmãos.  Mas muitos de nós não nos importamos com os sofrimentos impostos aos animais, seja na alimentação ou nos testes de laboratório, e acreditamos que os animais existem para uso e exploração.

Não seria este um egoísmo humano a ser vencido?  Não seria uma incoerência nossa pedir a paz e ao mesmo tempo patrocinar a violência todos os dias ao escolher o que vamos comer em nosso prato? Haverá repercussão disso em nossas vidas e na energia do planeta?

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque ele alcançarão misericórdia.” Jesus falou sobre termos misericórdia. Temos misericórdia dos seres sencientes que sofrem tanto como nós  e a esta hora estão na fila do matadouro tentando desesperadamente escapar do abate? E que muitas vezes são esquartejados ou mergulhados em água fervente ainda vivos? Basta investigarmos como é “fabricada” a carne, os ovos e o leite, para que tenhamos um visão diferente do assunto e lembremos das palavras do mestre.

Há espécies de animais que impressionam ao serem estudadas pela inteligência, nobreza de seu comportamento e instinto pacífico. Se fôssemos comparar tais espécies com a raça humana, poderíamos ficar em duvida de qual espécie é mais evoluída, vide o comportamento de alguns espíritos em dias atuais.

O que nos torna humanos? Em qual momento isso acontece? Qual adjetivo nos qualifica como mais evoluídos que as outras espécies?

No decorrer dos tempos o código de conduta da humanidade vem se aperfeiçoando tentando se aproximar cada vez mais de valores Universais ou como dito pelos espiritualistas: Valores de uma Ética Cósmica;

Muitos de nós agimos seguindo os costumes. Não evidenciamos a normal ternura humana que todos possuímos. No contexto aqui exposto, não condiz com o sentimento humano, ver um animal sofrer e ficar indiferente (ou pelo menos, não deveria ser assim).

Evoluímos passo a passo. A Ética da humanidade tende a se aperfeiçoar rumo a fraternidade maior e é provável, um dia olharemos nossos irmãozinhos com outros olhos.

   

Pra quem é Espírita Kardecista -  Leia Inúmeros Artigos  em: Página Espírita / Os Animais

Conceito do Karma: do Oriente para o Ocidente

"Se deseja saber as causas do passado, olhe para os resultados manifestos no presente. E, se deseja saber os efeitos no futuro, olhe para as causas que pratica no presente". (Nitirem Daishonin)

 

"Enquanto os homens massacrarem os animais, eles se matarão uns aos outros. Aquele que semeia a morte e o sofrimento, não pode colher a alegria e o amor." (Pitágoras )


A palavra sânscrita karma significa "ação", ou mais especificamente, qualquer ação material que nos ata ao mundo material. Embora a idéia de karma em geral esteja associada à filosofia oriental, muitos povos do ocidente também estão passando a compreender que karma é um princípio natural, tal como o tempo ou a gravidade, e não menos inevitável. Para cada ação existe uma reação. Segundo a lei do karma, se causamos dor e sofrimento a outros seres vivos, devemos passar por dor e sofrimento em retorno, tanto individualmente como coletivamente. Colhemos o que semeamos. Nesta vida e na próxima, pois a natureza tem sua própria justiça.

Todos os seres humanos são distintos entre si, quer por suas características psicológicas ou físicas. Alguns apresentam um dom artístico, outros são bem dotados intelectualmente. Da mesma forma, alguns nascem em um lar afortunado, enquanto outros na miséria. Estas diferenças não podem ser escolhidas quando nascemos.

Em outros casos uma pessoa pode realizar uma atividade com o mesmo empenho que outra, mas o resultado obtido ser totalmente diferente. Estas circunstâncias ocasionais são geralmente chamadas de destino e podem ser observadas nas pessoas ao nosso redor ou quando enfrentamos dificuldades no decorrer de nossa vida.

O conceito do Karma elucida que o destino não é algo concedido por algum ente supremo, mas é de nossa inteira responsabilidade a decisão pelo nosso próprio destino. Ou seja: as circunstâncias que estamos passando em nossas vidas, estas são provenientes das causas que fizemos no passado e todas as ações que criamos no presente, determinarão o nosso futuro.

Quando agimos de maneira constante durante um longo período, acabamos incorporando-os como hábitos. Da mesma forma, as nossas tendências e padrões de comportamentos formam o nosso karma que acumulamos desde o distante passado até os dias de hoje.

Fazendo uma analogia, o karma seria como uma conta bancária que armazena todo o nosso comportamento. Existem ocasiões que estaremos em débito e outras com crédito.

A pessoa que come um animal pode dizer que não matou nada, mas quando está comprando sua carne cuidadosamente empacotada no supermercado, está pagando outra pessoa para matar por ela, e assim ambos atraem para si as reações do karma. E não é hipócrita marchar para a paz e depois ir pegar um hamburguer no MacDonald’s ou ir em casa grelhar um bife? Isto é a própria duplicidade que Shaw condenava:

 

  "Rezamos aos Domingos para poder ter luz Para guiar nossos passos na senda que trilhamos; Estamos cansados da guerra, não queremos brigar, E no entanto nos refestelamos com os mortos.  (George Bernard Shaw)

 

"Quando um ser humano tira desnecessariamente a vida de outra entidade viva, especialmente sob condições de grande dor e sofrimento, este ato de agressão declarada produz uma severa reação karmica; e se ano após ano, milhões de animais são cruelmente abatidos em gigantescos matadouros, o acúmulo de karma negativo produzido nos seres vivos e no planeta por todos aqueles que participam matando, comprando, cozinhando ou ingerindo carne é quase inimaginável". (Bhaktivedanta Swami Prabhupãda)

 

"Se quisermos nos libertar do sofrimento, não devemos viver do sofrimento e assassinato infligidos a outros seres animais" (Paul Carton)