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Abelhas - Cruel exploração!

Manejo
As abelhas são manipuladas para produzir muitos produtos para o uso humano: Mel, própolis, pólen, geléia real. Pelo fato de serem vistas voando livres elas são consideradas livres das crueldades usuais da indústria das fazendas.
Entretanto, as abelhas são tratadas da mesma forma do que qualquer outro animal de fazenda.
Elas passam por uma rotina de exames e manejo, regimes alimentares artificiais, drogas e tratamento de pesticidas, manipulação genética, inseminação artificial, transporte (por ar, estrada ou trilho) e morte.

Abelhas rainhas
As abelhas rainhas são inseminadas artificialmente com esperma obtido de abelhas decapitadas. As rainhas são mortas quando sua habilidade de produção de ovos entra em declínio.

Manipulação
Quando os apicultores manipulam os favos, muitas abelhas são esmagadas e mortas. Baforadas de fumaça são lançadas para acalmar as abelhas, instrumentos especiais são introduzidos nas colméias para coletar os produtos das abelhas quando elas entram na colméia.
As abelhas são separadas de suas colméias por serem sacudidas vigorosamente ou por jatos fortes de ar, o que provoca a perda de suas asas e pernas.
As abelhas são alimentadas com pólen artificial e calda de açúcar branco para substituir o mel que foi retirado.

Testes
Muitas experiências são desenvolvidas nas colônias para aumentar a produção de mel, o que resulta em mais dinheiro.
No Japão, abelhas sofrem radiação para fazer com que os ferrões se tornem inofensivos, com o intutito de se “fabricar” abelhas sem ferrão para um manuseio mais fácil. Na Austrália, testes estão sendo feitos sobre uma proteína no ferrão da abelha para tratar o câncer.
Abelhas voam cerca de 800km em sua vida de operárias e produzem apenas meia colher (de chá) de mel. Vivem cerca de 30-35 dias.

A Função dos produtos das abelhas nas colméias

Na nossa alimentação podemos substituir: Mel por: Melado de cana, malte de cereais, açúcar mascavo, demerara, xarope de glicose, suco de frutas concentrado, entre outros.

Fonte: http://www.institutoninarosa.org.br/ali_veganismo.html voltar ao índice



Diplomacia Vegana

Você conseguiu! Finalmente decidiu aventurar-se e eliminar a carne para sempre. A compaixão que sente pelos animais, pelos homens e pelo meio ambiente será percebida quilômetros a sua volta. As pessoas olharão para você e dirão: "Lá vai alguém que realmente respeita a vida. É um herói!" Seus pais se encherão de orgulho e seus amigos sempre o convidarão, só para serem vistos em sua companhia. Uma história provável? Não no planeta Terra. Temos de encarar a realidade: quando nos tornamos vegetarianos, a família e os amigos não ficam entusiasmados, muito pelo contrário. Afinal, existem poucas situações sociais que não envolvem comida e, em nossa cultura, isso geralmente significa carne. Seu estilo de vida vegetariano pode causar algumas inconveniências, para dizer o mínimo. Sua mãe ficará preocupada em como reorganizar o jantar do Natal para incorporar sua nova dieta. O tio Pedro vai dar uma bronca quando souber que seu melhor companheiro de pescaria não está tão entusiasmado para a excursão desse ano.

Você se sentirá um pouco constrangido ao explicar aos colegas de trabalho que não come mais carne, depois de eles terem colocado uma picanha na brasa para sua festa surpresa. Tornar-se vegetariano, você pode imaginar, fará pessoas aplaudirem sua contribuição altruísta à ecologia, mas as deixará constrangidas com maior freqüência. 

Esse constrangimento pode não ser de todo mau: pode fazer os indivíduos refletirem cuidadosamente sobre suas próprias escolhas. Mas mesmo assim, você gostaria muito mais de estar se divertindo com os amigos do que causando-lhes constrangimentos. Sua dieta vegetariana pode fazer sua família sentir-se como se você estivesse virando as costas para valores e tradições. As refeições sempre foram um aspecto importante da socialização em qualquer cultura. Você criou um ponto de discórdia em uma área que seus pais pensavam que sempre uniria a todos. As pessoas que amamos podem ter dificuldade em compreender sua opção. Amigos e conhecidos podem tomar seu vegetarianismo como uma crítica às suas escolhas. Os que não conhecem muitos alimentos vegetarianos podem sentir-se distantes de você por suas escolhas alimentares serem tão diferentes. É bem possível que a decisão de excluir a carne de seu cardápio torne-se uma fonte de ansiedade e frustração, particularmente quando se encontrar em um grupo de amigos onívoros. Felizmente, não precisa ser assim. Em vez de gerar tensão para você e aqueles que o cercam, sua dieta vegetariana pode ajudá-lo a compartilhar todo um mundo novo de experiências valiosas. Depende muito de sua atitude, seu humor e diplomacia. Esse capítulo o ajudará em várias situações sociais comuns aos vegetarianos. A primeira parte leva em conta perguntas que em geral são feitas a vegetarianos e dá algumas respostas. Destina-se a ajudá-lo a melhorar seu bem-estar e sua confiança no caso de alguém lhe fazer essas perguntas. A segunda parte convida-o a colocar-se em algumas situações sociais difíceis. Como você pensa que reagirá? 

Considere a seleção de respostas apresentadas no texto. Os resultados prováveis também são discutidos. Quando você pensar nessas situações e nas saídas para elas, estará se preparando para enfrentar desafios de uma maneira eficaz e positiva. 

As Perguntas 

Um dos aspectos interessantes de tornar-se vegetariano é ouvir as perguntas das pessoas um pouco perturbadas com sua opção. A resposta para cada pergunta dependerá, pelo menos em parte, da situação em que a pergunta for formulada. Muitas pessoas têm interesse genuíno pela opção vegetariana ou curiosidade acerca de sua experiência. Você desejaria ter tido algumas horas para preparar uma boa resposta. Algumas pessoas consideram a possibilidade de diminuir o consumo de carne ou até de eliminá-la, mas simplesmente não sabem como fazer. Essa pode ser uma real oportunidade de compartilhar algumas sugestões práticas ou alguns insights profundos sobre a conexão entre nossas escolhas alimentares e nossa vida diária. Outros podem estar apenas caçoando e, nesse caso, é melhor dar uma resposta apropriadamente jocosa. As perguntas mais comuns feitas aos vegetarianos são "O que você come?" e "Por que você é vegetariano?" 

Pergunta Número 1: O Que Você Come? 

"O que você come?" é uma forma educada de perguntar detalhes da sua dieta. A pessoa que está perguntando pode estar curiosa sobre o gosto e a variedade dos alimentos vegetarianos ou o tempo necessário para prepará-los. Quando alguém faz essa pergunta, provavelmente está interessado em outras coisas, além do que você comeu no jantar na noite passada. As perguntas verdadeiras parecem-se com as seguintes: 

Perguntas Relacionadas ao Gosto e à Variedade

A comida vegetariana não é sem graça? Você come feijão todos os dias? Não fica com muitos gases? Você gosta mesmo do sabor da comida vegetariana? Não sente falta de carne? O que você come em ocasiões especiais? Para muitas pessoas, uma refeição apropriada consiste em carne e batatas. Sua experiência com alimentos vegetarianos limita-se a macarrão e queijo ou feijão em lata -- alimentos básicos, econômicos e rápidos de preparar que podem ser usados em caso de emergência, mas nunca em um jantar de domingo. O que mais existe para vegetarianos? Eles naturalmente questionam porque alguém iria voluntariamente optar por se alimentar dessa forma. 

Perguntas Relacionadas à Preparação dos Alimentos

Você passa horas em volta de um fogão quente todos os dias? Não é preciso planejar com muita antecedência, para dar tempo de deixar de molho e cozinhar o feijão? Você planta todos os vegetais que consome e congela-os para o inverno. Não é difícil encontrar todos esses alimentos diferentes? Muitas pessoas têm a impressão de que a cozinha vegetariana consome muito mais tempo do que cozinhar com carne. Imaginam, talvez, que os vegetarianos gastam horas na cozinha todos os dias moendo farinha, assando pão e cozinhando feijão. 

As Respostas

Quando as pessoas perguntam: "O que você come?", tente descobrir o que elas realmente gostariam de saber. Conte algumas das suas experiências e aventuras quando deixou de comer carne. Atraia o interesse delas descrevendo alguns de seus pratos favoritos. Pratos vegetarianos feitos por gourmets podem competir com os melhores pratos de carne. Você sabia que pratos vegan do chef Ron Pickarski ganharam medalha de ouro na Olimpíada Culinária? Eis uma amostra do tipo de resposta que você pode dar: 

"Como quase tudo o que você come, exceto que em lugar de carne uso tofu, feijão, nozes e sementes como fonte principal de proteína. Com esses produtos faço assados vegetarianos com molho, empadas, pastelões e algumas comidas orientais ótimas, como pratos indianos ao curry, ensopados africanos e falafels do Oriente Médio. Para refeições rápidas e fáceis, refogo tofu, faço macarrão, tacos ou hambúrguer, com recheio preparado em casa, congelado ou industrializado. O fato de ter me tornado vegetariano abriu um mundo culinário muito mais criativo. A variedade de alimentos que como agora é maior de que quando comia carne." Ou uma versão mais abrangente: 

"Você ficaria impressionado com a incrível variedade de alimentos disponíveis para vegetarianos. Quando comecei a consumir menos carne, experimentei tofu e vários tipos de feijão. Não fiquei muito entusiasmado porque não sabia como prepará-los, então decidi fazer um curso de culinária vegetariana. Logo percebi que preparar pratos vegetarianos excelentes não é mais difícil do que preparar carne: é apenas diferente. Não foi preciso muito tempo para aprender o básico necessário para preparar ótimos pratos vegetarianos. Agora sei como transformar tofu em "ovos mexidos", proteína de soja texturizada em ótimos assados para o feriado e feijão preto em uma maravilhosa sopa chinesa picante. Comprei alguns livros excelentes de receitas vegetarianas e experimentei várias delas, desde sushi até torta de queijo sem lacticínios. Encontrei também pelo menos uma dúzia de receitas diferentes que podem ser feitas em menos de meia hora (algumas em menos de 15 minutos). Agora me sinto um profissional e realmente adoro a comida. E também não me interesso mais por alimentos muito doces e gordurosos. Afetou também o meu bem-estar. Tenho mais energia e mais resistência do que antes." 

Há também ocasiões singulares em que alguém faz a pergunta de maneira jocosa. Você gostaria de dar uma resposta maluca perfeita, em vez de ficar ali parado dizendo que também come coisas boas. Que tal dizer algo absurdo: 

"É claro que como tofu. Tofu mexido no café da manhã, sanduíche de tofu no almoço, tofu refogado ou hambúrguer de tofu no jantar e torta de tofu de sobremesa. Agradeço a Deus por existir tofu para os vegetarianos." 

Pergunta Número 2:

Por Que Você É Vegetariano? As pessoas muitas vezes ficam curiosas sobre o que o motivou a abster-se de carne. Foi apenas para melhorar sua saúde, por preocupação com o meio ambiente ou devido a algo "excêntrico", como uma nova religião ou direito dos animais? Outras pessoas ficam intrigadas com a idéia de tornar-se vegetariano e simplesmente querem saber mais sobre isso. Algumas das perguntas que têm em mente são as seguintes: 

Perguntas Relacionadas à Religião

Você mudou de religião? Você está freqüentando algum culto misterioso? Você ingressou naquele movimento Nova Era? Algumas pessoas associam o vegetarianismo com extremismo religioso. Julgam que se você é vegetariano, provavelmente faz parte de algum movimento radical. 

Perguntas Relacionadas aos Direitos dos Animais

Você não é um daqueles ativistas de direito dos animais, é? O que você acha que aconteceria aos pecuaristas se todos parássemos de comer carne? Você come peixe e frango, não é mesmo? Afinal, não são carne de verdade. Por que cargas d'água deixaríamos de comer lacticínios? Não é preciso matar a vaca para produzi-los. As pessoas têm muita curiosidade com relação aos que optam por abster-se de carne por preocuparem-se com o direito dos animais. Podem se sentir um pouco culpados ou querer provar a si mesmos que essa questão não tem importância. 

Perguntas Relacionadas ao Meio Ambiente

Você acha mesmo que há uma conexão entre comer carne e o estado do meio ambiente? O esterco produzido pelos animais não é bom para o solo? Você é do tipo hippie, adepto do movimento de volta-à-terra que pensa que pode salvar o mundo? Muitas pessoas podem trazer à baila antigas conexões entre meio ambiente, fome humana e nossas escolhas alimentares. Podem questionar se existe alguma base na realidade ou se isso é apenas um mito perpetuado por um pequeno grupo à margem do mundo. 

Perguntas Relacionadas à Saúde e à Segurança

Uma dieta vegetariana pode nos proteger contra doenças do coração e câncer? Como você consegue proteína e ferro em quantidade suficiente, sem carne? Você também alimenta seus filhos dessa maneira? Acha que é seguro? Se uma dieta vegetariana é tão saudável, como é que os vegetarianos que conheço não parecem tão fortes? Se você não bebe leite, como obtém cálcio em quantidade suficiente? Por muitos anos os vegetarianos foram considerados malucos que comem alimentos saudáveis. Hoje um número crescente de pessoas reconhece que uma dieta vegetariana pode não apenas ser saudável, mas nos proteger contra doenças. Entretanto, ainda há algum ceticismo quanto o valor nutricional de dietas vegetarianas, especialmente para as crianças. 

As Respostas

Quando alguém pergunta: "Por que você é vegetariano?", leve em conta a origem da pessoa e o tipo de resposta que realmente seria importante para ela. Pense em formas de compartilhar preocupações profundas sobre questões que finalmente o convenceram a se tornar vegetariano. Se sua resposta for apresentada de maneira sensível, sem julgamentos, provavelmente será bem recebida. 

"Bem, tudo começou quando meu médico sugeriu que, por causa do alto nível de colesterol do meu sangue, seria melhor que eu comesse pouca ou nenhuma carne. Decidi comprar alguns livros de receitas vegetarianas e um deles tinha uma seção sobre as vantagens do vegetarianismo. Apresentava alguns detalhes interessantes sobre os benefícios para a saúde de dietas vegetarianas e discutia como nossas escolhas alimentares afetam o meio ambiente. Fiquei me questionando se o que estava lendo era realista, por isso decidi investigar um pouco mais. Você não vai acreditar no que eu descobri. Um dos livros que encontrei é simplesmente incrível. Se quiser, posso emprestar a você." Ou uma versão mais abrangente: 

"Decidi me tornar vegetariano por vários motivos. Acho que uma dieta vegetariana é muito saudável e é uma maneira de contribuir com a preservação do meio ambiente. Mas o fundamental para mim foi o tratamento que damos aos animais criados para nos alimentar. Antes de virar vegetariano, critiquei um amigo meu que caçava veados e ele me respondeu que pelo menos o veado morto tinha tido algum tipo de vida e pôs em dúvida que eu pudesse dizer o mesmo dos animais mortos para eu comer. Eu realmente nunca tinha pensado sobre isso antes, por isso decidi que era tempo de aprender mais sobre minha alimentação. A imagem dos livros antigos de galinhas ciscando, porcos rolando na lama e vacas pastando contentes pelos campos logo se desfez. Quando descobri que só nos Estados Unidos mais de sete bilhões de animais são abatidos todos os anos para consumo alimentar, comecei a entender porque as condições em que viviam e morriam estavam longe do ideal. Me senti mal com tudo isso e decidi que me tornar vegetariano era a única saída. Sei que muita gente não leva a sério assuntos relacionados aos animais, mas isso fez uma diferença enorme na minha vida. Comecei a me sentir melhor comigo mesmo; acho que realmente era um dilema ético para mim. Sei que em nossa sociedade não é fácil, e que muita gente está em uma situação difícil para dar esse passo. Talvez essas pessoas pudessem demostrar de outras formas sua preocupação com o modo como são tratados os animais destinados a nossa alimentação." Se a pergunta é feita em um tom jocoso, talvez você possa dar uma resposta rápida: 

"Acho que se foi bom para Albert Einstein, é bom para mim." "Prefiro não comer nada que possa me morder." "É que eu gostaria de ter uma saúde tão boa que aos 100 anos possa cuidar de um sítio e plantar verduras orgânicas." 

Situações

O mundo nunca mais será o mesmo depois que você aderir ao broto de feijão. As pessoas parecem olhar de modo diferente para você. Olham seu sanduíche como quem indaga o que haverá entre aquelas duas fatias de pão. Algumas até mesmo evitam olhar para você no churrasco da empresa, com medo de terem de sentar a seu lado com seus enormes salsichões. As situações que você enfrenta por ser vegetariano nem sempre são fáceis. Em alguns casos, você se sente completamente despreparado. Depois que tudo passou, imagina cem formas diferentes de lidar melhor com a situação. Na próxima seção, o convidamos a se colocar no lugar de outros vegetarianos que passaram por algumas situações realmente difíceis. Como você reagiria se estivesse em seu lugar? 

1. A Esposa se Torna Vegetariana Sem o Apoio da Família 

Você é a única vegetariana em sua casa. Seu marido e dois filhos adolescentes simplesmente não estão interessados em nada disso. Você se tornou vegetariana depois de ter assistido a uma palestra com uma amiga que já vinha lhe passando algumas informações há algum tempo. Seu marido não está entusiasmado. A única coisa que deixou absolutamente claro é que não tenciona largar a carne ou comer um monte de comida esquisita. As crianças estão do lado do pai. Você se sente mal comprando e preparando carne, mas percebe que não tem escolha. Seu jantar invariavelmente consiste de batatas e vegetais com um punhado de queijo. Duas vezes por semana, você prepara uma lasanha sem carne ou um refogado picante de vegetais, que são recebidos sem problema. Mais adiante, você está encontrando uma dificuldade cada vez maior em preparar carne e chegando ao ponto de sentir o estômago virar. Você deve: 

•  Ficar agradecida por sua família comer as duas refeições vegetarianas por semana, sem muito estardalhaço, e continuar a preparar-lhes a comida de que gostam.

•  Dizer à família que não agüenta mais carne em sua casa e que se eles quiserem, que a comam em um restaurante.

•  Dizer à família que não se sente bem preparando carne e propor-lhes para ser dispensada dessa parte da preparação das refeições. 

Resultados Prováveis

a. Uma reação passiva, agradecida: Este certamente é o caminho de menor resistência no que diz respeito a sua família, mas não parece uma boa opção para você. Se esse é o caminho que escolheu, planeje fazer progressos, aumentando as refeições vegetarianas para 4 a 5 vezes por semana. Sua família criará muito menos resistência se for um prato favorito e tradicional sem carne, como espaguete. Para aumentar a variedade de sua dieta nos dias que a família come carne, faça pratos vegetarianos para você. Hambúrgueres e salsichas industrializados, feijão enlatado e tofu podem ser preparados em um piscar de olhos. 

b. Nada de carne em casa: Isso pode ser um desastre. Se você quiser ter um lar harmonioso, todos devem respeitar as opções uns dos outros. Quando um começa a dizer para o outro o que deve ou não comer, o respeito mútuo é minado. Tente um acordo aceitável com todos os membros da família. 

c. Expresse seu mal estar; peça ajuda: Essa é provavelmente a melhor opção. Muitas vezes espera-se que as pessoas que se preocupam e cuidam das outras (sejam elas mulheres ou homens) façam infinitos sacrifícios por suas famílias e esqueçam das suas próprias necessidades. Tornou-se difícil para você comprar e preparar carne, portanto, discuta esses sentimentos com a família e peça sugestões. Se as soluções vierem deles, todos ficarão mais satisfeitos com o acordo a que chegaram. De fato, talvez você possa chegar a sua meta sem ficar zangada ou triste. 

2. Convite Para Jantar na Casa de Outra Pessoa

Você e seu marido são vegetarianos há três anos. Quando começou o novo emprego na clínica dentária, ficou encantada com a recepção calorosa dos colegas. Depois de algumas semanas, um dentista os convidou para jantar. Embora sempre almocem juntos no trabalho, você geralmente traz de casa sopa de ervilhas e uma salada ou um sanduíche de salsicha vegetariana com alface e tomate. Por isso seu amigo não tinha a menor idéia de que você era vegetariana. Não sabe muito bem o que fazer em relação ao convite do jantar. Você decide: 

•  Não aceitar o convite e dar uma desculpa.

•  Aceitar o convite, sem mencionar que são vegetarianos e levar um prato de forno para o jantar.

•  Aceitar o convite, sem mencionar que são vegetarianos e simplesmente ir ao jantar.

•  Dizer ao seu amigo que adoraria ir ao jantar, mas que vocês são vegetarianos. Oferecer-se para levar uma parte da comida (um prato principal). 

Resultados Prováveis

•  Não aceitar o convite: Essa é uma saída fácil, mas pouco eficaz. Assim que você der a desculpa, outra data, mais conveniente, será provavelmente sugerida.

•  Aceitar o convite e levar um prato de forno para o jantar: Não é uma boa opção. Sua anfitriã certamente gostaria de conhecer melhor suas preferências alimentares. Ela poderia preparar uma de suas especialidades chinesas favoritas: sopa picante azeda, rolinhos primavera de repolho, tofu ao molho de feijão e verduras ao vapor em vez de lagosta fresca e filé mignon.

•  Aceitar o convite e ir ao jantar: Se você não se importa em comer carne de vez em quando, esta opção é boa, mas se é firme em sua abstinência de alimentos de origem animal, é um grande equívoco. Poderiam servir frango escaldado ao molho de vinho branco, pilaf de arroz selvagem e vegetais ao vapor. Talvez você pudesse se safar comendo apenas o arroz e os vegetais. Mas, ainda assim, o arroz poderia ter sido cozido em caldo de carne e os vegetais temperados com manteiga e lascas de bacon. O fato é que não há garantia alguma de que algum desses pratos não contenham produtos de origem animal. Lembre-se de que a refeição foi preparada em sua homenagem. Tanto você quanto a anfitriã teriam uma noite muito mais agradável se ela soubesse quais são suas preferências alimentares.

•  Dizer que vocês são vegetarianos: Esta é a melhor opção. Embora você possa se sentir como se estivesse incomodando, é uma cortesia comum fazer com que a anfitriã saiba que são vegetarianos. Logo você perceberá como ela se sente preparando pratos vegetarianos. Ela pode dizer simplesmente que está tudo bem, que eles vêm tentando diminuir o consumo de alimentos de origem animal e vão gostar de preparar uma refeição vegetariana interessante. Se perceber alguma hesitação, ofereça-se para levar hambúrgueres vegetarianos ou um prato principal. 

3. Restaurante sem Opção Vegetariana no Cardápio

O escritório inteiro está indo almoçar. Como você é nova no grupo, ninguém sabe que é vegetariana. Um de seus colegas diz: "Vocês querem comer uma comida de verdade hoje? Uma hora depois de comer naquele restaurante chinês já me dá fome", portanto, acaba indo ao lugar especializado em assados de carne. Você se sente mal ao olhar para o cardápio: até a salada Caesar é feita com anchovas. Há uma sopa francesa de cebola, mas é claro que o caldo básico é feito com carne. Você:

•  Diz que está com um problema de estômago e não pode comer.

•  Pede um prato com o mínimo possível de carne e come deixando-a de lado.

•  Pede que o garçom sugira um prato sem carne. 

Resultados Prováveis

•  Não pode comer; problema de estômago: Isso servirá para deixá-la faminta. Pense no motivo para esconder o fato de que é vegetariana. Está preocupada que as pessoas de repente pensem mal de você? Você talvez não esteja lhes dando muito crédito. Pode ser que eles já tenham decidido que você é uma boa pessoa e o fato de ser vegetariana não vai fazê-los mudar de idéia. Cedo ou tarde, vão descobrir, por que então não economizar alguns momentos desagradáveis (passando fome) e contar de uma vez? 

•  Pede um prato com carne e come deixando a carne de lado: Pelo menos vai ter alguma coisa no estômago, mas você realmente quer pagar por este pedaço de bife? Alguns restaurantes nada oferecem a um vegetariano, por isso é desnecessário chegar a esse ponto. 

•  Pede um prato sem carne. Você captou a idéia. É muito comum esse tipo de pedido em restaurantes. Não se esqueça que muitas estrelas de cinema e muitos atletas e cientistas famosos são vegetarianos. Alguns restaurantes, que não oferecem um único prato vegetariano no cardápio, fazem maravilhosas refeições sem carne. Eles farão um macarrão cheio de vegetais frescos ou um refogado colorido com arroz servido juntamente com uma excelente salada e pão fresco. Se o garçom não parecer de confiança, peça para conversar com o chef e explique-lhe exatamente o que quer. O cardápio principal geralmente dá uma idéia do que pode ser facilmente preparado. Se houver algum refogado no cardápio, ele pode ser feito sem carne. O mesmo ocorre com vários tipos de macarrão. Se nada disso for possível, peça uma batata assada e uma grande porção de vegetais refogados. Talvez você possa também discutir o preço, para que não acabe pagando o filé mignon. Lembre-se, se puder escolher, opte por um restaurante de pratos típicos (quanto mais autêntico melhor). Restaurantes orientais, gregos, libaneses, africanos e indianos geralmente fornecem opções vegetarianas. Se puder, telefone com antecedência. 

4. Colegas de Trabalho de outra Cidade Convidados para Jantar

Três colegas de trabalho de outra cidade estão passando uma semana em seu escritório. Você decide convidá-los para jantar e, então, fica atrapalhada nos dias que se seguem, tentando decidir o que cozinhar. Você: 

a. Decide ceder e comprar peixe para a ocasião. 

b. Prepara alguns pratos vegetarianos deliciosos para eles experimentarem. Tofu assado, vegetais ao forno e beringela ao curry. Você também prepara rapidamente um pudim de alfarroba. 

c. Opta por pratos familiares, sem carne. 

Resultados Prováveis

a. Compra um peixe: Certamente esta é uma opção, mas absolutamente desnecessária. Você pode fazer uma refeição ótima sem precisar comprar peixe. 

b. Prepara pratos vegetarianos diferentes: Arriscado. Algumas pessoas têm hábitos alimentares estranhos, que não reconhecem. Seria melhor você tentar esses pratos com amigos, não com pessoas que mal conhece. 

c. Prepara pratos favoritos da família: Boa opção. É possível que nem mesmo percebam que não há carne na mesa. Lasanha, espaguete, vegetais picantes, tortillas e crepes podem funcionar muito bem. Procure servir acompanhamentos especiais: pão fresco e uma boa sobremesa, como uma torta de pêssego ou um fondue de frutas e chocolate. 

5. Jantar Festivo com Familiares

Todos os anos você se reveza com seu irmão e suas duas irmãs na preparação da ceia de Natal. Este será o primeiro ano como anfitriã vegetariana. João deixou claro que espera um peru no jantar. Helena argumentou que é apenas uma vez ao ano e que você não morreria fazendo esse pequeno sacrifício para a ocasião. Você não quer assar um peru, nem quer armar uma grande briga com a família. Decide: 

•  Ceder e assar um peru. 

•  Dizer à família que não se sente bem preparando um peru, mas ficaria feliz em preparar outros pratos, se alguém trouxer o peru. 

•  Recusa-se a ter um peru assado em sua casa. Diz a eles que podem fazer o que quiserem quando chegar a vez deles de preparar a ceia, e que é justo que você também faça o mesmo. 

•  Explica à sua família que prefere receber em sua casa para outras atividades que não a ceia do Natal. e. Vai para o México no Natal. 

Resultados Prováveis

•  Assar um peru: Essa opção deixa todo mundo feliz, menos você. Às vezes somos compelidos a fazer coisas contra nossos princípios, simplesmente porque evitamos situações de confronto difíceis. No final, suas preocupações e seus sentimentos não são melhor compreendidos e sua família provavelmente concluirá que você não se importa em preparar carne para os outros. Talvez se possa chegar a um acordo. Obviamente, essa refeição tradicional é importante para sua família e é igualmente importante para você não ter que comprar e preparar o peru. 

•  Alguém traz o peru: Este é um acordo amigável. Prepare alguns acompanhamentos gostosos e um prato principal vegetariano para oferecer. Uma abóbora gigante recheada é um belo prato para colocar no centro da mesa. Você talvez descubra que os pratos vegetarianos são os que fazem mais sucesso na festa. 

•  Nada de peru em sua casa: Às vezes não é o que você diz que cria problemas, é o modo como você diz. Lembre-se de que se o peru é o destaque do jantar do Natal para sua família, talvez não seria muito bem recebido dizer-lhes que não haverá peru esse ano. Pode gerar muita tensão em uma época em que supostamente a alegria e o amor devam encher corações e lares. Isso não quer dizer que você deva ceder e consentir em ter um peru em sua casa quando se sente realmente mal com isso, mas talvez seja a melhor maneira de alcançar aquele objetivo. 

•  Oferecer-se para fazer outra coisa. Excelente opção para quem não deseja ter em casa um peru no jantar. Há várias maneiras de participar dos festejos natalinos, além da ceia de Natal. Que tal oferecer uma noite de jogos e servir petiscos, como patê de avelãs com pão de centeio, cogumelos recheados, kebabs (espetinhos) de frutas frescas e um bolo especial de Natal? Outra alternativa é um café-almoço e jogo de cartas. Você pode estar iniciando uma nova e saudável tradição na família. Com o tempo sua família vai se sentir melhor com as refeições vegetarianas e a idéia da ceia de Natal sem peru pode se tornar uma possibilidade real. e. Ir para o México. Não é uma má idéia, mas você vai enfrentar o problema do peru no ano seguinte. 

6. Fazem troça dos Adolescentes por Usarem Sapatos de Couro

Seu filho adolescente é um vegetariano convicto. Na verdade, virou vegetariano dois anos antes de você. Leva sanduíches de tofu para a escola e não parece se importar com o que as outras crianças dizem. Certo dia, ele chega em casa aborrecido e conta que os colegas estão caçoando dele por usar sapatos de couro. Estão dizendo que, se ele realmente se importa com os animais, não deveria usar sapatos de couro. Dizem também que não há uma grande diferença em comer um bife e usar sapatos de couro. Ele pede conselho. Você lhe diz: 

•  Simplesmente ignore pessoas desse tipo. 

•  Se seu filho abstém-se de carne, mas consome outros produtos animais, lembre seus amigos que não é uma situação de "tudo ou nada". O couro é um subproduto do abate de milhões de vacas. Ao abstermo-nos de carne, diminuiremos sua demanda, reduzindo também esses subprodutos. Isso beneficiará tanto os animais quanto o meio ambiente. Se a demanda por subprodutos diminuir muito, os fabricantes produzirão alternativas aceitáveis. A exclusão da carne de nossa dieta é, por si só, uma forte afirmação disso.

•  Se seu filho é quase vegan e abstém-se de outros produtos animais além de alimentos, ele está fazendo uma forte afirmação contra o abate de animais e pode aproveitar a oportunidade para educar seus colegas de uma maneira muito positiva. Ele pode contar-lhes que suas mais recentes aquisições não contêm produtos animais, mas que usará os sapatos que ainda possui até se estragarem. Explique que se abster completamente de produtos animais é mais penoso do que se imagina. Em nossa sociedade, é quase impossível excluir todos os produtos animais, a não ser que nos mudemos para uma ilha deserta. Sabonetes, xampus e cremes muitas vezes contêm produtos animais. Cordas de instrumentos musicais e raquetes de tênis, filmes, vídeos e cosméticos contêm produtos animais. Até mesmo roupas de algodão e solas de sapatos que não são de couro, muitas vezes, são feitas usando componentes animais. Entretanto, à medida que mais e mais pessoas recusam-se a comprar artigos que contêm produtos animais, nossas opções melhorarão. 

Resultados Prováveis

•  Ignorá-los: Isso não ajudará realmente seu filho adolescente a lidar com situações difíceis similares, nem ajudará os adolescentes que estavam caçoando dele a entender o que realmente está em questão. 

•  Situação tudo ou nada: No mínimo, os colegas de seu filho poderão avaliar melhor a conexão entre nossas escolhas alimentares, o bem-estar dos animais e o meio ambiente. Provavelmente compreenderão que o fato de abster-se de carne é, em si, uma contribuição significativa. Esse tipo de discussão pode fazê-los pensar um pouco mais sobre suas próprias escolhas alimentares e os sapatos de couro perderão a importância. 

•  Abster-se de produtos animais: Os amigos de seu filho provavelmente ficarão impressionados com a extensão do uso de produtos animais em nossa sociedade. Terão uma idéia do quanto é difícil eliminar completamente esses produtos de nossas vidas. É possível que passem a respeitar seu filho pelo compromisso assumido com a causa. Ao transmitir essas idéias, ele criará um laço com outros que estão tentando tornar o mundo um lugar melhor. 

7. A Primeira Convenção de Trabalho como Vegan

É a primeira convenção de que você participa desde que se tornou vegan. Nunca tinha sido muito difícil como ovo-lacto-vegetariano, uma vez que a maioria dos lugares prepara um omelete sem maiores problemas. Você não tem tanta certeza se as coisas serão tão fáceis, agora que eliminou o leite e os ovos. É bom saber que as empresas aéreas oferecem refeições vegans, além das opções vegetarianas costumeiras. Não esqueça de indicar sua opção alimentar ao fazer as reservas de vôo. Você fica agradavelmente surpreso com a refeição: bolo de lentilha com molho de tomate, arroz, brócolis, um pãozinho de trigo integral e morangos frescos de sobremesa. Chega ao centro de convenções e encontra uma cestinha de frutas frescas em seu quarto. É um presente! Talvez as coisas não corram tão mal assim. Na manhã seguinte, você desce para o café da manhã e pede mingau de aveia, torrada de pão integral sem manteiga e suco de laranja natural. O almoço será depois de uma reunião, por isso você pensa que será um bufê. Tem quase certeza que terá pelo menos uma salada, batatas e pãezinhos. Para seu desencanto, o almoço é servido nas mesas. Uma quiche de presunto com uma saladinha minúscula e um pãozinho branco são colocados a sua frente. Seu estômago vira com o cheiro do presunto e dos ovos que impregnam o ar. Você decide: 

•  Comer o pãozinho com a salada e consultar a programação para ver se foi planejado outro evento similar, para que possa fazer um pedido com antecedência. 

•  Decide esperar até o jantar para comer. 

•  Diz ao garçom que é vegetariano e pergunta se é possível lhe servirem outro prato. 

Resultados Prováveis

•  Comer o pãozinho com a salada: Essa provavelmente é a saída mais fácil, mas não necessariamente a melhor opção. A pessoa que se senta ao seu lado pode receber um ótimo prato vegetariano, assim que você acaba seu pãozinho. (É preciso passar por isso apenas uma vez para perceber que vale a pena perguntar). 

•  Esperar até o jantar: Além de deixá-lo com muita fome, você provavelmente atrairá atenção indesejada para o fato de não estar comendo. 

•  Pedir outro prato: O que você tem a perder? A maioria dos bons hotéis são muito versáteis. Muito provavelmente lhe servirão uma refeição que fará as pessoas em sua volta desejar o mesmo. O pior que pode acontecer é o garçom dizer que sente muito, que não podem preparar nada. Nunca vimos isso acontecer, portanto, suas chances de conseguir uma alternativa razoável são muito boas. 

Dicas para se Sair Bem

•  Preocupe-se com os animais e o meio ambiente, mas respeite os demais seres humanos. Sua preocupação com os animais e o meio ambiente demonstra reverência pela vida e compreensão da fragilidade da Terra. O valor dessas qualidades é imenso, mas elas devem ser cuidadosamente equilibradas com um profundo respeito pelos demais seres humanos. Considere sempre os efeitos potenciais do que diz e faz na vida das pessoas que estão a sua volta. 

•  Ouça outras pessoas e incentive-as com suas palavras. É fácil julgar alguém sem realmente compreendê-lo. Quando fazemos isso, todos perdem. Se esperamos que os demais ouçam nosso ponto de vista, temos que começar por ouvir o deles. Ao ouvirmos outras pessoas, não apenas as conheceremos melhor, como poderemos apoiá-las e incentivá-las. Humilhar não ajuda em nada, serve apenas para magoar e afastar as pessoas. Em vez disso, incentive-as com suas palavras. 

•  Divida suas experiências de forma positiva. Em nossa sociedade, onde a carne está à frente e no centro da maioria dos encontros sociais que envolvem comida, o vegetariano pode se sentir um pouco intimidado. Lembre-se de pessoas como George Bernard Shaw e Gandhi que se orgulhavam de serem vegetarianos e de terem algo para compartilhar. A tentativa de impressionar pessoas com longos sermões sobre os pecados do consumo de carne e esperar convertê-los em fãs de tofu resultará em desapontamento. Em vez disso, inspire-os com o exemplo de uma vida saudável. Convide os amigos para uma ótima refeição vegetariana ou leve um delicioso prato vegetariano típico de algum país para a festa da empresa. Divida com eles receitas e livros. Pode até convidá-los para o curso de culinária vegetariana. 

•  Aprenda a rir de si mesmo e de algumas situações difíceis em que se meteu. Você pode passar pela vida com uma atitude reprovadora e carrancuda em relação a tudo, ou pode compreender que há um pouco de humor nas situações mais incômodas. Relaxe e ria um pouco. Isso provavelmente o fará viver tantos anos a mais quanto sua dieta vegetariana. Embora possa não ser fácil, tente perdoar e esquecer. As pessoas podem dizer coisas que magoam sem nem mesmo perceber. Ficar ressentido não o fará sentir-se melhor, apenas mais estressado. 

•  Compreenda que não pode sempre fazer escolhas perfeitas. Pense em suas metas na vida e estabeleça prioridades. Para muitas pessoas, a prioridade número um são as pessoas que amam. Como vegetariano, suas escolhas podem ser muito diferentes das opções do restante de sua família. Você pode até comer um pouco de carne, frango, peixe, leite ou ovos para evitar ofender alguém que estima. Se o fizer, não se sinta culpado: a maioria das pessoas faz isso para seguir seus corações. Por outro lado, se optar por excluir completamente certos alimentos de origem animal, compreenda que isso terá de ser uma prioridade em sua vida. Terá de planejar com antecedência, consultar restaurantes e conferências, avisar a família e os amigos quando for fazer uma refeição com eles e levar comida apropriada, sempre que for necessário. 6. Informe-se bem. Se quiser defender um estilo de vida vegetariano, informe-se sobre o assunto. Leia tudo o que puder, faça cursos, assista palestras e ouça todos os tipos de opinião. Não apenas ficará mais confiante, como estará mais preparado para lidar com questões e preocupações de uma maneira clara e lógica. 

Fonte: Do livro   " A Dieta Saudável dos Vegetais "

Brenda Davis, Vesanto Melina e Victoria Harrison

Tradução: Marly Winckler  voltar ao índice



Era uma vez um Espírita (Introdução)

Extrato do livreto: Era uma vez um espírita – Exortação ao espírita:

“Espíritas!

É de vós, cultores da Lei da Evolução, que se espera o engajamento, como pioneiros, ao lado das vanguardas da consciência planetária. A Lei da Evolução descortina aos que a compreendem o sublime encadeamento de todas as espécies de vida do orbe. “Do átomo até o arcanjo, que começou por ser átomo”, tudo vos deve ser sagrado, porque a mesma centelha da Vida universal que dormita no mineral, bruxuleia no vegetal e entreabre os olhos no animal é aquela que vos incendeia a mente e conduz, em consciência maior, pelos caminhos infinitos do progresso. Como então poderíeis supor que o Deus de infinita misericórdia sancionasse a crueldade e a destruição injustificada de seus filhos menores, enclausurados temporariamente em estojos físicos de principiantes, como as criancinhas do jardim da infância do grande educandário dos mundos de matéria?

Seríeis capazes de trucidar crianças pequeninas para atender a um prazer de matar, somente porque não podem defender-se? Pois o mesmo espanto e horror que essa idéia vos causa tomam os espíritos superiores quando estes assistem à carnificina diária que se comete na superfície do planeta para com os irmãos menores do homem – os animais. Olhai o fundo de seus olhos mansos, sem a arrogância dos fortes e a indiferença dos egoístas, e vereis ali cintilando o reflexo de uma alma divina, filha do Criador que também é o Criador da vossa; lereis o apelo silencioso dessas vidas que tateiam nos labirintos da consciência como criancinhas aprendendo a andar, a vos dizer: “Deixa-me viver para aprender a ser um dia como tu, que já foste outrora como eu”.

Não, espíritas, não devia caber a vós, jamais, o triste papel de verdugos dessas vidas inocentes. Que outros, desconhecendo ainda o laço divino que une todas as criaturas matriculadas pelo supremo ser na escola da Vida, provindas de seu mesmo hálito criador, patrocinem indiferentes e de coração gélido a matança desses irmãos menores, para o nocivo consumo humano, tem pelo menos a triste lógica do egocentrismo: “Nada temos a ver com eles”. Mas o espírita, que conhece o panorama esplendoroso que lhe foi descortinado com a Lei Evolutiva, e sabe (ou deve saber) que todas as formas de vida representam classes onde se matriculam as almas incipientes na escalada da perfeição, atrás de que desculpa se poderia esconder para dizer: “Não te reconheço como irmão, mas tão somente como presa”? Meus irmãos, a vossa consciência não pode mais dormitar nos velhos conceitos herdados da barbárie planetária, ou não podereis vos agasalhar no manto da lei do progresso, que cobra atitudes urgentes em vosso mundo, à beira da falência moral e material. A escravidão, a tortura, a discriminação, a guerra, a lei do mais forte, o genocídio em nome da divindade também já foram considerados – e ainda o são, tristemente, em alguns redutos do planeta – códigos legítimos de conduta. Hoje, entretanto, vossas consciências sensibilizadas repudiam com horror o que no ontem vos parecia perfeitamente aceitável (enquanto nã o era feit o convosco, evidentemente). Por que insistir então em continuar vos regendo pela velha lei do hábito, que aceita sem refletir os comportamentos impostos pelo egoísmo e a conveniência de alguns, sem avaliar atitudes à luz dos códigos superiores que já tendes a ventura de conhecer? O espiritismo não foi legado pelo alto à humanidade para perpetuar a tirania dos hábitos atrasados e nocivos que grampeiam a criatura, indefinidamente, à roda triste das reencarnações que se arrastam entre a doença, o sofrimento e a miséria moral da humanidade. O espírita, para fazer jus à elevada condição de seguidor dessa doutrina libertadora de consciências, precisa ser o vanguardeiro de todos os valores mais nobres do planeta. Deve ser o primeiro, e não o último, a adotar os princípios éticos e os códigos de conduta mais elevados.

É desairoso para vós que criaturas atéias e agnósticas, mas dotadas de nobres sentimentos (aliás, os únicos que significam passaportes válidos para a espiritualidade superior), demonstrem maior compaixão e sensibilidade para com as espécies animais do planeta, enquanto os cultores da Lei da Evolução sentam à mesa para se banquetear com os cadáveres sofridos daqueles que sabem constituírem os seus irmãos menores na escala evolutiva.

Que sentido têm os vossos apelos à misericórdia dos seres superiores, se os apelos silenciosos daqueles que rotulais “inferiores” não encontram guarida em vossos corações, cerrados à compaixão e ao respeito? Acaso tendes a ingenuidade de supor que a Divindade suprema descuida de gerir o mundo que criou, e que os gemidos de dor de seus filhos mais indefesos não comparecem ao tribunal da vida planetária, testemunhando contra a espécie humana e sua crueldade? Inúteis serão os vossos apelos de paz,enquanto os cadáveres sangrentos de vossos irmãos menores quotidianamente atestarem que sois os mandantes da mais sanguinária das guerras, e a mais cruel, porque deflagrada contra indefesos sem o socorro da razão, por motivos fúteis, e tão somente em nome de um discutível prazer do paladar. Jamais desfrutareis da paz sonhada para o planeta enquanto ele permanecer encharcado do sangue inocente daqueles que o Pai vos enviou para cuidar e proteger. Só uma divindade injusta e cruel aceitaria conceder a bênção a uns em troca do holocausto de outros. Ou será que ainda embalais a ilusão de que sois a única espécie merecedora do céu?

Espíritos lúcidos de todas as épocas já vos deram o exemplo de existências de sabedoria e equilíbrio, saúde e nobreza, distantes da ingestão de corpos animais. Sábios médicos e nutricionistas conscientes já vos têm apontado o caminho da saúde e da libertação de um cortejo de males através da alimentação vegetariana, padroeira maior do equilíbrio e do bem-estar físico e psíquico do ser humano. Generosos batalhadores da causa animal, vanguardistas de uma nova consciência planetária fundamentada no respeito e amor incondicional a todas as vidas, estão passando à frente dos espíritas, adotando um modo de viver condizente com os postulados da Lei Evolutiva – espinha dorsal da doutrina espírita.

E vós, meus irmãos? Que fazeis, sentados à mesa diante dos despojos sangrentos de vossos companheiros planetários, mortos cruelmente para obedecer a hábitos ancestrais repetidos sem avaliação? A quem pensais enganar nessa contemporização com um código ultrapassado de viver? À vossa consciência adormecida, aos espíritos dirigentes do planeta, ao Mestre a quem dizeis seguir, à Divindade que nos criou a todos iguais para a fraternidade, não para o exercício da lei da selva?

A ninguém mais deveis satisfação que à vossa consciência, em tudo que fizerdes; mas temei-a quando vos cobrar, sem apelação, a coerência que vos falta, entre os postulados de compaixão, renúncia e solidariedade de vossa doutrina, e o prazer mórbido que vos acorrenta a devorar vossos irmãos da escola terrestre.

O espírita deveria ser o primeiro, e não o último, a preservar a qualquer custo o equilíbrio planetário. Informai-vos bem para vos conscientizar de que a manutenção dos rebanhos para o consumo humano, além do espetáculo da crueldade e da indústria da doença que representam, são os patrocinadores da fome de milhões, da devastação e do desequilíbrio da natureza planetária. Ser um consumidor dos irmãos menores carreia ainda consigo a condição de depredador do planeta e conivente com a fome do mundo. É um triste papel que não cabe, não deveria caber, aos seguidores da doutrina que veio para melhorar o mundo e auxiliar a redenção da humanidade, e não a sua infelicidade. O hábito, o prazer e a fraqueza são as justificativas que sempre nos oferecemos ante a dificuldade de mudar para melhor. Elas não nos livram de sofrer as conseqüências do pior que cultivamos. Tampouco nos credenciam para dar os passos decisivos à nossa ascensão interior. O sangue derramado das espécies animais, em proporção sempre crescente, está transformando o planeta num gigantesco matadouro ambulante, que orbita no sistema fazendo ecoar os gritos de dor dos milhões de seres sacrificados diariamente à gula e à ganância humana. Essa energia de terrível virulência, numa freqüência vibratória abominável, veste de um manto sanguinolento o belo planeta azul que o Pai vos permitiu habitar. O seu diapasão mórbido contamina os planos invisíveis adjacentes à crosta, e fornece alimento vibratório não só para as almas tristes que vampirizam os encarnados invigilantes, como para a materialização de morbos psíquicos que eclodem na forma de vírus e bactérias estranhos, que se disseminam como enfermidades no plano físico. Eles deverão aumentar de virulência e intensidade em proporção a vossos abusos contra a vida. Não há criaturas privilegiadas dentro do cosmo, e a toda ação segue-se uma reação ; mas vós, justamente os que isso pregais, agis como se a afronta à lei do amor universal fosse passar desapercebida e sem conseqüências exclusivamente para vossa espécie. Espíritas: o conhecimento acentua a responsabilidade. Vós, exatamente, sois os que não podeis alegar o desconhecimento da Lei Maior Evolutiva e de suas implicações. Não podeis negar vossa irmandade com as espécies animais, claramente demonstrada desde as origens da doutrina.

Quando o comportamento contradiz a crença da criatura, um dos dois deve ser mudado, a bem da verdade. Que o supremo Criador de todas as vidas vos clareie a visão para vislumbrar os caminhos evolutivos que já percorrestes, vos proporcionando a coragem de identificar, no animal de hoje, o ser humano de amanhã, e no homem racional de hoje o irracional que inquestionavelmente foi, no ontem nem tão distante. E em conseqüência, vos ilumine para fazer a eles o que gostaríeis que vos tivessem feito quando éreis exatamente iguais.”

Um “Espírito amigo, da Grécia Antiga” voltar ao índice

Kardecismo x Veganismo

Cada um tem livre arbítrio para tomar suas decisões, inclusive na hora de escolher o alimento que vai colocar em seu prato ou na hora de fazer suas compras, escolher ou não produtos que foram são provenientes dos animais ou foram testados nos mesmos. De acordo com nosso código de conduta do coração, julgar se deve se esquivar de qualquer culpa ou não.

A reflexão que fica é: temos agido corretamente com as espécies que dividem o planeta conosco? Até onde se tem o direito de usar irmãos de outras espécies em benefício próprio? Os animais são nossos para vestir, comer ou fazer experiências? Independente das respostas, fato é que eles sentem dor, medo e fome, e têm o mesmo interesse em viver que qualquer ser humano.

Perante o Universo os animais estão sob nossa tutela, e seria de bom senso ético auxilia-los na jornada de sua evolução, mas o que fazemos na maioria das vezes é exatamente o contrário: exploramos e torturamos.

Enquanto espíritas entendemos que os animais são dotados do princípio inteligente divino. Conceito diferente de outras instituições que dizem que os animais não têm alma (assim como essas outras instituições já disseram no passado que: mulher, índios ou negros não tinham alma, fato hoje que qualquer um concorda ser um absurdo).

Avançamos bastante em nossa ética humana, quando a sociedade vem aprendendo a conviver com as demais raças, crenças e diferentes orientações sexuais. Mas e quanto as demais espécies de seres sencientes ( que possuem sistema nervoso central desenvolvido )? Estas sub-julgamos ser uma vida sem valor, que existem para serem usadas e exploradas não nos importando se possuem sentimentos, se criam laços de família ou se possuem interesse em viver. Mas isso pode ser um grande engano. Como disse Olympia Salete: “ A vida é Valor Absoluto. Não existe vida menor ou maior, inferior ou superior. Engana-se quem subjuga um animal ou alimenta-se de sua carne,  por julga-lo um ser inferior. Diante da consciência que abriga a essência da vida, o crime é o mesmo."

E podemos falar nas conseqüências da pecuária, que esta devastando a natureza deste planeta (a maior devastação das florestas é para se produzir grãos e pastos que se originam aos animais de abate e não à humanos. Também falar na poluição que essa criação industrial causa. E por último na questão da saúde: todos os hormônios e antibióticos que os animais recebem acabam indo parar no leite, ovos e carne que ingerimos (nesta última ainda se aplicam nitratos para sua conservação). Estes detalhes podem ser os responsáveis por muitas doenças e obesidade .

Alguns espíritas justificam seu comportamento ressalvando a questão 723 do livro dos espíritos, que argumenta que a carne nutre a carne e é necessária para ser forte. Mas não nos esqueçamos: “Espiritismo é fé raciocinada”. Um cavalo, um elefante, um gorila, um boi (entre tantos outros) são animais herbívoros e são demasiadamente fortes e bem nutridos. O livro dos espíritos tem mais de um século de existência e com certeza na época em que foi escrito, não havia condições de se radicalizar de maneira brusca as crenças e costumes de um povo que se encontrava descrente de muitas coisas. E quando perguntado aos espíritos em outra questão, a 724, se havia alguma validade em se tornar vegetariano, a resposta foi que sim, que era um ato meritório.

A espiritualidade soube ser sutil e Alan Kardec foi muito sóbrio quando disse que sua obra não estava completa e haveriam novos aprendizados a humanidade.

Lembremo-nos: Jesus ensinou sobre a compaixão e seus exemplos sempre foram embasados na paz e no amor entre todos os irmãos. Mas muitos de nós não nos importamos com os sofrimentos impostos aos animais, seja na alimentação ou nos testes de laboratório, e acreditamos que os animais existem para uso e exploração.

Não seria este um egoísmo humano a ser vencido? Não seria uma incoerência nossa pedir a paz e ao mesmo tempo patrocinar a violência todos os dias ao escolher o que vamos comer em nosso prato? Haverá repercussão disso em nossas vidas e na energia do planeta?

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque ele alcançarão misericórdia.” Jesus falou sobre termos misericórdia. Temos misericórdia dos seres sencientes que sofrem tanto como nós e a esta hora estão na fila do matadouro tentando desesperadamente escapar do abate? E que muitas vezes são esquartejados ou mergulhados em água fervente ainda vivos? Basta investigarmos como é “fabricada” a carne, os ovos e o leite, para que tenhamos um visão diferente do assunto e lembremos das palavras do mestre.

Há espécies de animais que impressionam ao serem estudadas pela inteligência, nobreza de seu comportamento e instinto pacífico. Se fôssemos comparar tais espécies com a raça humana, poderíamos ficar em duvida de qual espécie é mais evoluída, vide o comportamento de alguns espíritos em dias atuais.

O que nos torna humanos? Em qual momento isso acontece? Qual adjetivo nos qualifica como mais evoluídos que as outras espécies?

No decorrer dos tempos o código de conduta da humanidade vem se aperfeiçoando tentando se aproximar cada vez mais de valores Universais ou como dito pelos espiritualistas: Valores de uma Ética Cósmica;

Muitos de nós agimos seguindo os costumes. Não evidenciamos a normal ternura humana que todos possuímos. No contexto aqui exposto, não condiz com o sentimento humano, ver um animal sofrer e ficar indiferente (ou pelo menos, não deveria ser assim). E no momento que vamos fazer nossas refeições deveríamos ponderar sobre uma simples questão: "o que é mais importante? o desejo do estômago? ou o sentimento de misericórdia? "

Evoluímos passo a passo. A Ética da humanidade tende a se aperfeiçoar rumo a fraternidade maior e é provável, um dia olharemos nossos irmãozinhos com outros olhos.

Vladimir Vegan voltar ao índice


Plantas Sentem dor?

Título Original: "A sensibilidade que as pessoas atribuem as plantas"

Todo vegetariano já foi questionado em sua vida sobre isso, o tema não é novo, mas está sempre nascendo na cabeça de alguém que, por acaso, ouviu falar isso ou aquilo sobre as plantas. Muitos indagam: -- Vocês não comem animais, mas e as plantas, afinal, elas também sentem dor. Particularmente já me deparei com argumentos melhores, mas vamos lá, tirar da cabeça dessas pessoas suas dúvidas e mostrar-lhe na realidade, o que elas pensam quando perguntam tal coisa. Há também aqueles que discutem um algo a mais que, segundo eles compreendem, as plantas além de sofrerem,são sencientes. O engraçado é que muitos sequer conseguem aceitar que os animais sejam seres sencientes, porém defendem energicamente nossas irmãs plantas. Conheço alguns vegans que disseram que tais pessoas agem de má fé, ou seja, fingem se interessar pelas plantas para poderem nessa disputa de argumentos, continuar a desprezar e a ingerir vísceras de animais, num pensamento , creio eu, mais ou menos assim: " Se você come animais, não deveria comer plantas, e se come plantas, também faz mal à elas.Eu por exemplo, pesando os dois aspectos, sei que ambos possuem sensibilidade por isso não há mal nenhum em ingeri-los já que, tanto um quanto o outro sofrem igual." O primeiro item a usar como base para essa discussão é: Não se afastar do tema principal, ou seja, os animais e seu sofrimento. O segundo é, qual dos dois seres possui maior capacidade de relacionamento homem-animal, ou seja, qual deles, comprovadamente, é mais senciente? Nós temos cães como companheiros ou um pé de alface, a lógica aqui é raciocinar apenas levando-se em conta a senciência de ambos os seres vivos, afinal quem faz essa pergunta não passa a vida acariciando alfaces ou falando com elas. Dos males o menor, só essa frase bastaria para vencer esse argumento.O animal sofre, eu vejo, a planta eu apenas imagino. Agora, pensando mais racionalmente, a tese de que as plantas são realmente sensíveis, viria mesmo a calhar, pois apoiaria ainda mais o não-consumismo da carne animal. Genial tal argumento: "Se você se preocupa com a sensibilidade das plantas, faria ainda melhor com a sensibilidade dos animais, já que "a olhos vistos", eles parecem sofrer mais do que elas." (levando-se em conta de que, quem perguntou realmente se importa com tal sofrimento e não fez a pergunta apenas por fazer ou para "testar" uma resposta) Mais uma vez estaríamos usando a velha frase, dos males o menor, ou seja, melhor deixar o consumo de carne animal que sente superiormente mais dor e passar a ingerir vegetais ,do que ao contrário. Claro que nem todos perguntam por má fé, há, e são muitas, pessoas que realmente acreditam na sensibilidade das plantas, eu também creio já que em tudo há vida, tudo há sensibilidade e volto a perguntar: Diante de teus olhos, qual sensibilidade lhe dói mais? Você é capaz de debulhar uma espiga de milho, ou cortar brócolis e atirá-los dentro de um caldeirão de água fervente, mas faria isso, tal qual como falei, a um coelho, um boi, um porco ou um cão? Já olhou nos olhos de um brócoli quando passa a faca em seu corpo? Qual a sensação? Já olhou nos olhos de um animal que está sendo morto, qual a sensação? Entenda bem que é a "Sua" sensação diante da morte de um animal. Entre plantas e animais, segundo nos diz a ciência, qual deles possui o SNC(sistema nervoso central) mais complexo? Músculos sensíveis à dor, visão sensível a queimaduras, estômago sensível a experimentos, etc, etc. Não sabemos se as plantas possuem córtex cerebral ou lóbulos cerebrais como homens e animais, aos quais, comparativamente o DNA está mais próximo. Dos dois seres em questão, qual deles tem maior individualidade, raciocínio, senciência/consciência? As plantas sofrem ? Os animais não? Afinal me pergunto: Qual o real motivo dessa pergunta sobre a sensibilidade das plantas? Querer mostrar aos vegetarianos que eles estão errados ao deixar de comer animais, já que ingerem plantas e elas também sentem dor, ou seja, que são hipócritas ao pensar assim ou...e acredito muito nisso embora não deseje, abster-se de imaginar que os animais que eles ingerem sofrem, de forma que comer um ou outro acaba por não fazer diferença? Há muitas outras coisas que não são visíveis aos nossos olhos em relação as plantas , porém nos são claras diante dos animais: Medo de morrer.Sangue derramado nos abatedouros( muita gente cultiva hortas em casa, porém bem poucos cultivam abatedouros).Efeito de reação diante da dor, capacidades que não foram totalmente provadas pela ciência em relação as plantas, mas que, se fossem, e vamos abrir um vasto campo agora, o que faríamos? Voltar a comer de animais só porque descobrimos que as plantas sofrem? De forma alguma, já que devemos usar a lógica da questão que é: Quem sofre mais diante da morte?Em questões de medo e dor? Vamos convir que ambos não sofram igual e isso é fato, SNC, motricidade, lóbulos cerebrais, sinapses. Será que as plantas são mais sensíveis do que os animais? Mas, vamos supor, que as plantas realmente sintam dor e tenham medo. E nós, míseros mortais, nos abstendo de comer apenas carne, mas somos então um dos grupos mais seletos e mais corretos de todos, já que pensando assim, demos um grande passo para uma grande mudança , porém, não somos os melhores nesse aspecto e perdemos para alguns amigos muito mais adiantados nessa questão do que os crudívoros, vegans e vegetarianos que são nossos amigos frugívoros, que não comem vegetais e se alimentam de sementes e frutos, que não sentem dor já que acabam sendo de certa forma "descartados", já que nascem , amadurecem e caem, se não forem colhidos apodrecem e se sentissem dor, já entraríamos em outro campo, o campo Divino e os motivos pelo qual Ele deixa pobres e inocentes frutas morrerem. Somos seres buscando a perfeição, ao menos alguns, se não somos ainda perfeitos, temos ciência de que somos melhores que alguns e piores que uns outros, mas demos um importante passo para a nossa mudança e para a mudança do Planeta. Os vegetarianos deveriam se preocupar com as plantas? Quem nega que um dia seremos todos frugívoros ?Quando descobrirmos que as plantas sentem dor, naturalmente mudaremos nossos hábitos, assim como mudamos quando vimos que os animais sofriam, e isso é inegável até para o carnívoro mais ferrenho, que defende as plantas mas não os animais. E para aqueles que acreditam em Deus, acreditam mesmo que um dia ele nos mataria de fome, conforme fôssemos caminhando em sua direção? Um último detalhe a acrescentar as pessoas que se preocupam com a sensibilidade das plantas é que, o boi é um animal ruminante, e que no Brasil a agropecuária é de campo, e os bois que virarão bife se alimentam das plantas, ou seja, ao invés de você ajudar ao menos um, está matando duas vidas ao mesmo tempo. Talvez a mesma discussão, tão difícil de ser compreendida hoje, pelos Diretos Animais, seja travada daqui há alguns anos, séculos, sobre o especismo direcionado as plantas, talvez lá adiante sejam mesmos os frugívoros que estejam tentando mostrar que as plantas sofrem tal como os animais, e o que faremos? Na certa muitos que já não comem mais animais dirão que os frutos também sentem dor, e a história vai recomeçar, porque toda mudança moral é difícil nos seres humanos, mas elas acontecem, independente de sua vontade. " A saúde do homem é o reflexo da saúde da Terra".Heráclito Nessa etapa de nossa caminhada é melhor fazer o bem aquele que ,diante de nós, sofre mais , percebe mais e se relaciona mais de forma inteligente conosco , ajudar o próximo mais próximo, é melhor do que não ajudar ninguém.Preocupar-se com as plantas é pular um degrau necessário que é , antes de tudo, a preocupação com os animais, já que o sofrimento deles urge, e nessa caminhada, tudo está a seu tempo. Talvez os frugívoros sejam os únicos a terem alcançado uma alimentação totalmente livre de crueldade, os vegans estão fazendo a sua parte e os vegetarianos e os crudívoros as deles, e você, o que está fazendo em benefício dos animais e do Planeta onde vive?

Simone Nardi 05/10/06 voltar ao índice

Polêmica sobre uso de cobaias chega a Brasília

A partir da próxima semana, será intensificada em Brasília a guerra de interesses entre entidades que apóiam a experimentação animal e outras que condenam a prática. Uma comissão da Fesbe (Federação das Sociedades de Biologia Experimental) irá à capital federal para pressionar os deputados a votarem o projeto de lei 1.153/95, que regulamenta o uso de cobaias no país.

A comissão vai levar aos parlamentares um abaixo-assinado sobre o assunto. Lançado há três semanas, na internet, o manifesto já havia sido assinado por 3.000 pessoas até as 15h30 desta quinta-feira.

Ao saber disso, entidades de defesa dos animais, capitaneadas pela Veddas (Vegetarianismo Ético, Defesa dos Direitos Animais e Sociedade), revolveram contra-atacar. Os órgãos lançaram hoje um abaixo-assinado para impedir que a Câmara vote o projeto.

Correntes de e-mail estão circulando na internet pedindo a participação dos internautas. A idéia é pelo menos igualar o número de adesões da campanha da Fesbe. Até o meio da tarde de hoje, havia 1.396 assinaturas.

De acordo com George Guimarães, presidente da Veddas, o objetivo final é que o projeto, que tramita há 12 anos na Câmara, seja reprovado pela Casa. Mas, por enquanto, organização vai tentar protelar essa votação, para que "o outro lado possa expor seus argumentos aos deputados".

"Resolvemos nos organizar e usar uma arma equivalente, para não parecer que são só eles [da Fesbe] que está lá conversando com os deputados", diz

Apesar de todo esse tempo no Congresso, o projeto ganhou mais destaque neste ano, em função da polêmica sobre o uso de bichos na ciência.

A discussão sobre os limites éticos dessa prática voltou à tona no começo de outubro, quando o Prêmio Nobel de Medicina foi concedido a cientistas criadores de uma técnica que permite simular em camundongos algumas doenças, de modo a identificar o efeito de certos genes sobre a saúde humana.

Debate

Apesar de o projeto de lei estar no Congresso desde 1995, Guimarães considera que a discussão começou há poucos meses. "Não houve audiência pública. Queremos poder expor nossos argumentos antes que o projeto entre em votação", diz.

O PL 1.153/95, também conhecido como Lei Arouca, é uma tentativa de regulamentar o uso de animais em laboratório no Brasil, já que não há uma norma nacional que indique claramente os limites dessa prática.

Até hoje, a função de estabelecer os parâmetros para a experimentação animal fica a cargo das comissões de ética de universidades e instituições de pesquisa. Caso esses órgãos não tenham sido instituídos, as decisões cabem a cada cientista individualmente.

Pressão

"Vamos lá pressionar o Chinaglia [Arlindo Chinaglia, presidente da Câmara] para que o projeto entre na pauta do Congresso. É uma questão muito importante", afirma Marcel Frajblat, presidente do Cobea (Colégio Brasileiro de Experimentação Animal), que faz parte da comissão que vai a Brasília.

O projeto institui por exemplo a criação do Concea (Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal), que vai regulamentar o uso de animais para pesquisa e estabelecer as normas e critérios éticos. O órgão será presidido pelo ministro de Ciência e Técnologia.

A matéria estabelece por exemplo que, caso as instituições de pesquisa e ensino descupram as regras, estarão sujeitas a advertência, multa de R$ 5.000 a R$ 20.000, interdição definitiva ou outras penalidades. No caso de profissionais infringirem as regras, a multa vai de R$ 1.000 a R$ 5.000.

Prazo final

De acordo com Guimarães, um dos problemas do PL é o fato de não estabelecer um prazo para o fim da experimentação animal. Para ele, já há alternativas disponíveis para a prática. "Quando você regulamenta o uso de cobaias, acaba institucionalizando isso. Se é para haver uma lei, tem de ser no sentido de reduzir o uso de animais", afirma.

O argumento do presidente do Veddas é rechaçado pela comunidade científica, que argumenta que houve sim avanços na questão das alternativas, mas que muitas delas ainda não são viáveis econômica e cientificamente.

Para Wothan Tavares de Lima, coordenador da Comissão de Ética e Experimentação Animal do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, o projeto vai sim gerar uma redução no número de animais utilizados. "Isso está implícito. O projeto vai estabelecer que se o utilize o mínimo [de cobaias] possível, quando não há alternativas" , afirma.

"Precisamos de uma lei em nível nacional, que regulamente tudo. Mesmo que você determine que isso [a experimentação animal] vai acabar em dez anos, há a necessidade dizer claramente o que é certo e errado até lá", afirma.

FELIPE MAIA da Folha Online

Fonte: http://www1. folha.uol. com.br/folha/ ciencia/ult306u3 43932.shtml 08/11/2007 - 16h34 voltar ao índice

Direitos Animais - Cartilha Básica

O que são direitos animais?

A teoria dos direitos animais existe para nos ajudar a decidir quando estamos certos e quando estamos errados em nossa relação com os outros animais. Ela é absolutamente simples. Ela pode ser aplicada por qualquer um, independentemente de credo, etnia, condição financeira, orientação sexual ou posicionamento político. E ela deve ser aplicada por todos e todas que acreditam no respeito e na justiça.

Por que devemos basear nossa ética em direitos?

Para decidir se uma ação é certa ou errada, não basta olhar para o quão felizes ou tristes ficam os indivíduos envolvidos. É claro que isso é importante – mas apenas uma vez que temos certeza de que ninguém está tendo algum direito básico seu violado.

Por exemplo, se nos pedem para julgar moralmente um estupro, a última coisa que nos ocorre é se foi bom para o estuprador. Seria muita ousadia ele se virar para o juiz e dizer "Acredito que o prazer que eu senti excedeu o desprazer da vítima, de modo que minha ação aumentou o nosso bem-estar total. Então eu não só agi certo, como estaria errado caso não a tivesse estuprado!".

Considerações a respeito do bem-estar dos envolvidos simplesmente não têm qualquer relevância quando a questão envolve uma violação de direitos. Por exemplo, no caso do estupro, a vítima teve um direito seu violado – o de não ser dominada por ninguém. Infelizmente, na nossa relação com os outros animais, nós sempre estamos violando um direito básico deles.

Mas afinal de contas, o que é um direito?

Um direito é uma barreira que protege um interesse fundamental seu da ação de terceiros. Ninguém pode violar um direito seu simplesmente alegando que isso o deixaria mais feliz. É a história do “o seu direito termina onde o meu começa”.

Nem sempre um direito é garantido por lei. Mas, mesmo na ausência do direito legal, você ainda pode ter um direito mais importante, um direito moral . Por exemplo, você tem um interesse fundamental em que as outras pessoas não te matem (pois, se o fizerem, seus outros interesses deixarão de fazer sentido). A esse seu interesse fundamental está relacionado o seu direito à vida , um direito moral. E as pessoas têm e sempre tiveram esse direito, independentemente do que diziam as leis e os costumes da região e da época em que vivem ou viveram.

Duas observações são importantes para o bom entendimento dos direitos. A primeira é que, ao direito de um, corresponde o dever do outro de respeitar esse direito – no caso de esse “outro” ser um indivíduo que possa ser responsabilizado pelos seus atos (um humano adulto com plenas faculdades mentais, por exemplo). Logo, não se pode dizer que você tem o direito de não ser atingido por um raio, já que não há alguém junto a quem reclamar tal direito. Tampouco se pode dizer que você tem o direito de não sentir o cheirinho daquilo que o bebê deixou em sua fralda: é só um bebê; é difícil responsabilizar qualquer um por isso.

A segunda observação é que a possibilidade da violação ética de direitos existe, sim – mas apenas em casos em que há um conflito entre os direitos morais de dois ou mais indivíduos. Por exemplo, alguém apontando uma arma para a nossa cabeça e pedindo que escolhamos entre a vida de uma pessoa e a de outra (construir exemplos práticos já é mais difícil). Mas o conflito precisa ser entre interesses genuinamente fundamentais e que gerem direitos morais.

Um exemplo pode ilustrar a importância dessas observações: imagine que dois filhos do seu vizinho nasceram com uma doença desconhecida. Ele, então, raptou a sua filha para lhe servir de cobaia em experimentos que terminaram por ajudá-lo a descobrir uma cura para a doença dos seus meninos. Isso se justifica? Se o seu vizinho tiver lábia, talvez até consiga convencer algumas pessoas de que sim, dizendo saber que se tratava de um conflito de interesses fundamentais, mas que sua pesquisa acabou por preservar o interesse do maior número de pessoas. Ele só não convenceria você nem ninguém que percebesse que, enquanto o interesse fundamental da sua filha em não ser dominada gerava um direito , o interesse fundamental dos filhos do vizinho em ter uma vida feliz não geravam um direito , já que sequer haveria alguém junto a quem reclamá-lo. E muito menos esse alguém seria sua filha ou você. Tanto é que seu vizinho precisou raptar sua filha, ele não simplesmente bateu à sua porta e disse “Olá vizinho, tudo bem? Vim tomar o que é meu de direito. Com licença, sim?”.

O mais básico de todos os direitos

Ao longo da História, seres humanos inocentes dos mais diversos credos, etnias, gêneros, posições sociais, convicções políticas e orientações sexuais foram perseguidos, escravizados, torturados, humilhados, estuprados e assassinados. Tudo isso fere um direito moral básico de todos os seres humanos: o direito de não ser considerado propriedade.

Ser considerado propriedade significa ser considerado recurso. Coisa. Escravo(a). Apenas um meio para os fins dos outros. Algo sem interesses próprios, ou ao menos não interesses que mereçam ser protegidos por direitos. Assim se justifica praticamente qualquer coisa que possa ser feita com a propriedade. Por um lado, esta não tem direitos. Por outro, o proprietário possui direito legal justamente sobre sua propriedade. O resultado é que os interesses do proprietário – por mais banais que sejam – sempre prevalecerão sobre os interesses da propriedade – por mais fundamentais que sejam.

Mas como é que sabemos que todo ser humano possui o direito de não ser considerado propriedade? Pelo seguinte: seres humanos possuem a capacidade biológica de sentir dor. A dor nada mais é que um mecanismo de preservação da vida. Logo, cada humano preza sua própria vida. Mas de nada adianta ele estar vivo se sua vida não lhe pertence. Se sua vida pertence aos outros, ele não poderá escolher sobre seu próprio destino e nem terá domínio sobre o seu próprio corpo.

E mais: todos os seus interesses vão por água abaixo quando seu direito de não ser propriedade não é respeitado. Não só porque esses interesses podem ser violados (pois uma propriedade não têm quaisquer direitos), mas porque eles serão violados (um ser só é transformado em propriedade se, para começo de conversa, alguém enxergou em sua exploração alguma possibilidade de benefício pessoal).

Quando você é propriedade, você não precisa ser respeitado(a) enquanto indivíduo. Suas relações afetivas com sua família podem ser interrompidas a qualquer momento. Você pode ser violentado(a) sexualmente. Pode ser ameaçado(a). E será descartado(a) assim que perder a utilidade para os outros. Em suma: talvez pior que simplesmente se tirar a vida de um indivíduo seja lhe roubar a vida para si. É por isso que o direito de não ser propriedade pode ser considerado o mais básico de todos os direitos

Quem tem o direito de não ser considerado propriedade?

Repare na argumentação no item anterior. O direito básico de não ser considerado propriedade decorreu unicamente da capacidade de sentir dor, também conhecida como senciência. A conclusão imediata é que todos os seres sencientes têm o direito de não serem considerados propriedade. E quem é senciente?

Essa categoria inclui não só os animais humanos, mas também os não-humanos, que também sentem dor. Vacas, ratos, araras, cachorros, elefantes, cavalos, todos eles têm o direito moral de não serem propriedade, pelo exato mesmo motivo que humanos o têm. Isso significa que temos a obrigação moral de respeitar praticamente todos os animais , e não os enxergar como nossos recursos, meios para os nossos fins.

Infelizmente, hoje em dia, vacas são consideradas animais “para fins de alimentação e vestuário”, ratos são animais “de laboratório”, araras e cachorros são animais “de estimação”, elefantes são animais “de circo”, cavalos são animais “de tração” etc. Ou seja, botamos nos animais não-humanos apelidos que denotam sua principal utilidade para nós. Violamos seu direito mais importante, o de não serem considerados propriedade. É por isso que podemos afirmar que a escravidão nos dias de hoje continua mais forte do que nunca.

Agora que já entendemos que os animais não-humanos não pertencem aos humanos, do mesmo jeito que os negros não pertencem aos brancos e as mulheres não pertencem aos homens, a pergunta natural é: como fazemos para respeitá-los?

Só para clarear as idéias, pensemos no caso dos escravos africanos no Brasil colonial. Imagine que você fosse um europeu do século XVI. Como você faria para respeitar esses seres sencientes que, apesar de terem o direito moral de não serem propriedade, não tinham a contrapartida legal desse direito? Bom, em primeiro lugar, você não seria um(a) senhor(a) de escravos, claro. Mas isso adiantaria de algo se você continuasse a consumir o açúcar produzido com mão-de-obra escrava?

Não. Para o escravo, não faz diferença nenhuma quem está segurando o chicote, se você ou outra pessoa. Ao engrossar a demanda por um produto que venha da escravidão, damos o nosso próprio aval para que a escravidão continue, firme e forte. Não somos nós que seguramos o chicote – mas somos nós que colocamos o chicote na mão do capataz. Por outro lado, se você optasse por boicotar aquele produto, você conseguiria mostrar sua oposição à instituição escravocrata, e ajudaria a torná-la menos forte e legítima. E, com certeza, menos indivíduos teriam que ser escravizados para suprir a menor demanda.

O tempo passou, mas a lógica continua a mesma. A única maneira de combatermos a escravidão legalizada de hoje, a dos animais não-humanos, é nos recusando a consumir produtos provenientes dela: carnes, laticínios, couro, animais “de estimação”, produtos testados em animais, ingressos de zoológico etc. Essa idéia revolucionária é chamada de veganismo. É, por definição, a única maneira de respeitarmos os animais. Ela é tratada com mais detalhes aqui .

É bom notar que não é nenhuma espécie de santidade da nossa parte que os outros animais requerem. Nós tampouco somos santos(as) em nossas relações com os outros humanos: é difícil encontrar alguém que verdadeiramente considere de maneira igual os interesses dos outros e os seus próprios. Mesmo assim, respeitamos as outras pessoas, não violamos seus direitos morais a torto e a direito (encontrem estes contrapartida legal ou não). E os animais não-humanos também não pedem nada além do nosso respeito.

fonte: www.direitosanimais.org voltar ao índice

Por que defendemos a abolição total da exploração dos animais?

Este texto trata de explicar o porquê da luta pelo fim da exploração sofrida pelos animais não-humanos pelas mãos dos animais humanos, em todas as suas formas. Olhando de fora, os defensores dos animais são vistos como radicais (no sentido pejorativo): "Que raios estas pessoas estão defendendo que não podemos comer a carne de um animal que sofreu dor?". Os que vão além desta postura, são vistos como mais extremistas ainda "O que? Agora não podemos comer a carne nem de um animal que foi morto sem dor?". E os que defendem a abolição total do uso de animais não-humanos pelas mãos dos humanos (seja na alimentação, experimentos científicos ou não, entretenimento, caça, vestuário, criação comercial de animais de estimação, etc) são freqüentemente vistos como loucos. Tentarei aqui explicar a concepção de cada uma dessas vertentes de defesa dos animais não-humanos.

Apenas fazendo um parêntese, antes de iniciar, sobre o termo "radical". Radical vem de raiz. Ser radical significa desafiar a raiz de algo que se vai contra, não apenas "podar o conceito" e deixar que ele floresça novamente, mas atacar o ponto chave de onde se origina o conceito. É nesses pontos chaves que está a raiz, mas muitas vezes é nessa mesma base onde fica a ferida, o calcanhar-de-Aquiles. E os defensores dos animais não-humanos estão a apontar a ferida na filosofia moral tradicional.

Muitos de nós utilizamos o termo radical com um sentido pejorativo. Porém, essa mesma maioria de nós é radicalmente contra muitas coisas, por exemplo, radicalmente contra o estupro. Por aí, é possível perceber que nem sempre pode se constituir um erro em ser radical. Outra questão quanto ao termo radical, é que ele geralmente é associado à violência. Mas o termo em si não traz consigo uma matriz de violência. Gandhi foi totalmente contra a violência. Radicalmente contra a violência. Era um radical nesse sentido.

Olhando de fora, talvez a maioria das pessoas olhe para os movimentos de defesa dos animais e não consiga fazer a conexão com a luta pelo princípio da igualdade, o mesmo princípio que condena a discriminação por raça ou sexo. Geralmente, as pessoas que defendem os animais não-humanos, são vistas como "amantes dos animais", o que não necessariamente é verdade, e quando é, é um aspecto irrelevante para a questão levantada acima, que coloca então a questão dos animais não-humanos como uma questão que deve ser tratada à luz de critérios éticos. Ou seja, a primeira coisa que precisa ficar clara é que os defensores dos animais não são sentimentalóides emotivos desesperados e que a luta em defesa dos não-humanos está embasada em argumentos racionais, que podem ser justificados eticamente. Trata-se de uma importante questão política, da mesma ordem de questões como a luta pelo fim do racismo e o sexismo.

Algumas pessoas podem achar estranho que se proponha que a luta em defesa dos animais é a mesma luta pelo fim de preconceitos como o racismo ou sexismo. A matriz de pensamento é mesma: uma discriminação com base em aparências externas ou em características factuais (se o ser em questão não têm uma aparência semelhante à daquele que discrimina, este não é aceito do ponto de vista moral, e seus interesses não contam). Se dermos mais peso aos interesses de membros de nossa própria espécie quando estes concorrem com interesses de membros de outras espécies, quando o interesse em questão é exatamente o mesmo (ou seja, estamos nos baseando em aparências externas para traçar o critério de relevância moral), estaremos utilizando o mesmo critério de um racista ou sexista, que diz que o interesse de um ser não conta por ele não pertencer à raça ou ao gênero "certo", como se fosse culpa do ser em questão ter nascido com essa ou aquela aparência.

O preconceito de espécie, é então chamado "especismo", termo criado pelo filósofo e psicólogo Richard Ryder em 1973, para se referir a preferência que os humanos dão por interesses de membros de nossa própria espécie,e para fazer uma analogia com racismo e sexismo. Os especistas violam então o princípio da igualdade (que não é uma igualdade factual, como será explicado a seguir) ao darem mais peso a interesses da espécie homo sapiens, ainda que o interesse em questão, apresentado pelo indivíduo membro de outra espécie seja exatamente o mesmo. A questão do especismo é mais agravante ainda quando damos mais peso a interesses menores (mais fúteis e triviais, completamente desnecessários à manutenção da vida e bem-estar enquanto indivíduo da espécie homo sapiens) de membros de nossa espécie quando concorrem com interesses maiores (mais básicos e vitais para manutenção da forma de vida específica em questão) de membros de outras espécies.

Infelizmente, a questão atual ainda está no momento citado acima: damos mais peso a nossos interesses mais fúteis e triviais (comer um alimento específico como carne, leite e ovos) quando concorrem com interesses básicos como não sofrer dor, não perder a liberdade de movimento e continuar a viver bem a sua maneira específica, de indivíduos de outras espécies. Ou seja, a maioria dos humanos tem utilizado o mesmo critério dos racistas e sexistas ao lidar com questões que afetam interesses de animais não-humanos, esquivando-se de aceitar o desafio de um raciocínio ético e preferindo continuar preso à uma cultura cultivada no preconceito.

Alguns podem argumentar que não estão discriminando o animal não-humano com base na aparência, mas sustentam que os interesses dos humanos devem ter mais peso porque seres humanos têm a plena posse da razão. Traçar o limite do círculo dos dignos de considerabilidade moral na característica factual da plena posse da razão (característica essa que os indivíduos deveriam apresentar para serem dignos de respeito) foi o que fez a filosofia moral tradicional, desde a antiguidade. Será esse critério justo?

Vejamos, o critério da plena posse da razão exclui milhões de seres, já mesmo na espécie humana. Bebês, crianças muito pequenas, comatosos, idosos senis, portadores de graves doenças cerebrais - nenhum deles possui a plena posse da razão. Note que, em última análise, este critério exclui a todos nós, porque podemos, a qualquer momento, perder a plena posse da razão, por motivo de acidente ou doença degenerativa. No entanto, não excluimos estes seres da comunidade moral, muito pelo contrário, damos maior atenção ainda aos seus interesses, pois estão numa situação de maior dependência dos nossos cuidados.

Se não excluímos membros de nossa espécie, ainda que eles não apresentem o critério que propomos para excluir animais não-humanos, e excluímos animais não-humanos, ainda que muitos deles apresentem um nível de raciocínio muito maior do que os humanos citados acima, é sinal de que este é um critério especista, criado para favorecer apenas a um pequeno grupo, com o intuito de tirar vantagens das suas interações com seres que não têm como se defender dos ataques. A filosofia moral tradicional confundiu o critério para ser agente moral (e pois, responder pelas conseqüências dos seus atos) - a plena posse da razão - e aplicou este critério para indicar quais seriam os pacientes morais (que não precisam, óbviamente, da plena posse da razão para sofrer as conseqüências dos atos dos agentes morais). Quando estamos defendendo um bebê, um idoso senil ou um animal não-humano, não estamos defendendo a plena posse da razão deste indivíduo, mas sim, sua vulnerabilidade ao dano que é possível que outros lhe causem. Então, o critério da plena posse da razão não se sustenta.

Alguns argumentam ainda que, bebês tem a "potencialidade" para desenvolver a plena posse da razão, e comatosos ou idosos senis "já tiveram" a plena posse da razão. Porém, esse critério falha ao explicar o porquê não deveríamos maltratar uma pessoa que nascesse com uma doença cerebral que o impedisse definitivamente de desenvolver a plena posse da razão durante toda a sua vida, mas que tivesse capacidade de desfrutar desta mesma vida prazeirosamente, ainda que sem a plena posse da razão. Definitivamente, ter ou não a posse da razão não é o motivo pelo qual não maltratamos os seres de nossa própria espécie.

Os filósofos utilitaristas, defensores dos animais não-humanos, como Humphry Primatt, Jeremy Bentham e Peter Singer propõem então o critério "dor/sofrimento" para que o ser em questão seja aceito na comunidade moral. Com esse critério, não devemos então perguntar se o ser em questão tem ou não a plena posse da razão, para considerar seus interesses, mas sim, se ele tem a capacidade de sofrer.

Este é o critério da senciência. Para Peter Singer, os que têm interesses a serem considerados são os seres sencientes, ou seja, aqueles seres que não são apenas sensíveis (termômetros são sensíveis à variação de temperatura, por exemplo), mas além disso, conseguem diferenciar de um estado prazeroso de um estado de sofrimento, ou seja, possuem consciência do seu sofrimento (coisa que um termômetro não consegue, óbviamente), por possuírem um sistema nervoso central organizado. Daí o nome senciência (sensibilidade + consciência), o que envidencia a presença de, além da sensibilidade, estados mentais nesses seres.

Singer propõe então o princípio da igual consideração de interesses semelhantes, que diz: "um interesse é um interesse, seja lá de quem for o interesse". Ou seja, com isso o autor está dizendo que são os interesses que devem contar (os mais básicos e vitais devem ser privilegiados em detrimento dos mais fúteis e banais) e ainda, quando o interesse é semelhante, o critério de escolha não deve se basear em aparências externas ou características factuais (como a plena posse da razão ou qualquer outro critério tão arbitrário quanto).

Com este princípio, já podemos questionar todas as formas como são criados os animais não-humanos nas modernas granjas de produção industrial. Animais confinados em condições deploráveis, com dor intensa ao longo de toda a vida, para a produção de carne bovina, avina ou suína, leite, ovos, vitela, foie gras, indústria de peles, etc. Não pensem que isso exclui a pesca, pois peixes são mortos, ou por asfixia ou descompressão, e isto traz enorme sofrimento.

Então, como vivemos há milênios nessa cultura especista, a maioria de nós vê os animais não-humanos não como indivíduos, mas como ferramentas ou recursos. Os vemos não com um valor em si mesmos, mas como portadores de valor apenas instrumental (ou seja, têm valor somente enquanto um meio para os humanos atingirem um fim). Assim, animais não-humanos são colocados na mesma categoria que tijolos e canetas, pois só possuem valor enquanto funcionam como um meio para os humanos chegarem a um fim.

Aqui é preciso fazer uma distinção de relevância moral. Animais não-humanos e tijolos são muito diferentes. Alguns podem argumentar: mas negros e brancos são muito diferentes entre si, ainda que devam ser considerados igualmente. Animais humanos e animais não-humanos também. Porém, existe uma outra diferença maior, que sustenta que devemos colocar num mesmo grupo animais não-humanos, humanos negros e humanos brancos, e em outro grupo, tijolos e canetas. Aí se apresenta o critério do sofrimento. Esta é uma diferença moralmente relevante (pois para sofrer é precismo ter a capacidade para o sofrimento - coisa que um tijolo não possui, podemos bater com o tijolo na parede que ele nada sentirá), e não apenas uma diferença factual (como a cor da pele e o número de patas, por exemplo, que não interfere na capacidade de sentir dor).

Porém, a questão não é apenas de sentir. Muitas plantas podem responder a estímulos externos, e muitos aparelhos eletrônicos também. A capacidade de sentir consciente, chamada senciência, se encontra apenas em animais que possuem um sistema nervoso central organizado. Nestes, há a capacidade de sentir, no mínimo, dor e prazer. Neste grupo, estão os mamíferos, peixes e répteis, por exemplo.

O ser humano se auto-intitula racional, mas na sua interação com animais não-humanos, privilegia exatamente critérios arbitrários, de preferência sentimental por membros de sua própria espécie (simplesmente porque têm um formato externo semelhante ao seu), que nada possuem de racional. Estes critérios baseados em aparências externas, levam a conclusões absurdas e irracionais, como achar que ter pêlos sobre o corpo, ou quatro patas, ou chifres, influencia na relevância de considerarmos o sofrimento de tal ser. A maioria de nós já conseguiu compreender o raciocínio lógico de que a cor da pele não influencia em nada disso, mas têm muita dificuldade em aceitar que a espécie em que o indivíduo nasce (se há na espécie a capacidade para a senciência) também não influenciam.

Muitos humanos compreendem o argumento, mas escolhem na prática, a guiarem-se por critérios egoístas. Estes critérios têm ainda menos de racionalidade. O egoísta exige que os outros respeitem sua dor, mas não se preocupa se está a infligir dor no outro, e muitas vezes, inflige com orgulho. Essa atitude mostra um limite de raciocínio, onde o egoísta não consegue compreender a simples analogia de que, para cada indivíduo, ele também é um "outro", e se todos seguirem o mesmo princípio que ele, ele não poderá defender o seu ponto de vista em bases racionais, quando estiver em posição de sofrer as conseqüências das ações dos outros. O egoísta não consegue compreender que, ao abrir exceção para ele mesmo em poder causar dor ao outro, está abrindo automaticamente exceção para todos os outros causarem dor nele. Não há nenhuma justificativa racional que diga que uma pessoa deva ser parâmetro para ter seus interesses mais considerados do que de outros. Como o egoísta irá justificar que os interesses dele devam contar mais? Por que os dele e não o de outro? E o de outro? E o de outro?

Vimos com isso que, se queremos guiar nossas interações por princípios aos quais possamos justificar, devemos considerar que toda dor é eticamente injustificável. Se não admitimos que nos causem dor, precisamos considerar este princípio. Quanto a este argumento, muitas vezes aparece a pergunta "e os masoquistas?". A diferença é que o masoquista escolhe e prefere sofrer tal dor, e na verdade, tal dor é prazerosa para ele.

A única dor que se possa justificar (a qual admitiríamos sofrer também) é uma dor causada para aliviar uma dor maior em nós mesmos. Lembrando sempre que esta dor, como dito na frase anterior, só se justifica para aliviar uma dor maior no ser que a sente, diferentemente do que alguns argumentam, de causar dor em um para aliviar a dor do outro. Esta dor, nós mesmos não admitiríamos sentir, então, seguindo o princípio racional da coerência, não podemos concluir que podemos infligir esta dor no outro, em hipótese alguma.

Tudo está resolvido com o critério da senciência? Porém, como aponta o filósofo Tom Regan, nossas interações podem causar um dano enorme ainda que não se cause dor alguma. Tomemos o seguinte exemplo: você está dormindo, e enquanto dorme, eu pulo a janela do seu quarto, aplico-lhe uma anestesia para que você nada sinta, e logo após isso, aplico-lhe uma dose letal para que morra instantaneamente. Não há nada de errado com isso?

Não admitiríamos que nossas vidas fossem tiradas por outros, mesmo que estivéssemos anestesiados. Teríamos muito a perder. É por coerência a esse princípio, que os defensores dos animais também consideram eticamente injustificável consumir do cadáver de seres não-humanos que foram mortos sem dor alguma. Um dano foi causado ainda que não apareça dor alguma, e, como no caso da dor, a espécie biológica na qual o indivíduo nasce não influencia na capacidade de desfrutar da vida e querer continuar vivê-la e sofrer um dano por ter esta ceifada.

Vivemos numa cultura tão especista, que muitas pessoas consideram "menos pior" consumir o cadáver de um animal que foi morto sem dor. Quão menos pior será? Alguns argumentam que o animal viveu solto e "feliz" até o dia do abate. Será que consideraríamos realmente um mal menor, caso o indivíduo que fosse morto fosse da nossa espécie? Criar crianças humanas, desde bebês, até a idade adulta, vivendo uma vida "solta" e "feliz", para que depois sejam abatidas sem dor, será um "mal pequeno"? Admitiríamos sermos criados para isso? Se consideramos um mal enorme sermos criados para tal finalidade, e consideramos um "mal menor" fazermos o mesmo com indivíduos de outras espécies, estaremos sendo realmente culpados da acusação de especismo, que, como dito acima, é um critério irracional.

A esta altura, surge a inevitável pergunta: plantas também são mortas sem sentir dor alguma. Por que seria pior matar um animal sem dor, do que matar uma planta? Estas também não foram privadas de suas vidas?

Vale lembrar aqui que o termo "vida" é um conceito bastante amplo. Nossos membros e órgãos internos também estão vivos. Se precisássemos por exemplo amputar uma perna ou retirar um rim para salvar o "todo", estaríamos tirando a vida dos nossos membros e órgãos internos. Cadeias viróticas também estão vivas. Frutos e sementes também.

Porém, não é a "vida" em si, que estamos a defender. Não é hipocrisia defender a abolição total do uso de animais não-humanos e comer plantas. Há base de relevância moral para agrupar animais humanos e não-humanos num mesmo grupo, e plantas em outro. Animais não-humanos, assim como os humanos, não apenas estão vivos, no sentido biológico. Eles têm uma mente, e tendo uma mente, possuem uma vida no sentido biográfico. Possuindo uma mente, possuem autoconsciência, pois de outra forma não conseguiriam sobreviver no ambiente, caso não conseguissem distinguir entre o ambiente e si mesmos, entre si mesmos e outros animais, entre si mesmos e os nutrientes que precisam. Possuem também uma memória, no sentido que guardam informação do que lhes é benéfico para seu organismo e o que não é, e não repetem interações danosas, na verdade esquivam-se delas e buscam interações prazerosas. Possuindo autoconsciência e memória, possuem uma mente, e podem sofrer danos psicológicos (mesmo que não haja evidência de dor alguma), além dos danos biológicos (sentir dor ou perder a vida). São então indivíduos no sentido que possuem uma vida (no sentido biográfico) que é melhor ou pior para eles, independente do que os outros possam pensar desta vida ou valorizar esta vida.

Este argumento, óbviamente deve ser utilizado para defesa dos animais e não para justificar causar danos às plantas, muito menos para dizer: "já que plantas podem sofrer dano, então justifica causar dano aos animais também". Tal conclusão, como vista no parágrafo acima, é absurda. Me limito neste artigo, a tratar da questão dos animais. Porém, o conceito de "dano" sugerido por Tom Regan possui base para a defesa de uma ética ambiental (na qual estariam incluídos além dos animais, plantas e ecossistemas) genuína, ou seja, onde o valor existe na própria natureza, independente do valor instrumental que os humanos possam dar a ela. Se formos nos basear na nossa ignorância, podemos levar centenas e anos até descobrir como é "ser planta", como é "ser árvore", para daí então, começar a ver o meio ambiente como digno de respeito. Talvez até lá não reste nenhum meio ambiente para ser digno de respeito, pois já teremos destruído tudo.

Voltando à questão da "vida biográfica" dos animais, é possível dizer que animais preferem viver em certas condições e não em outras, e sofrem um dano caso sua preferência não seja respeitada. Então, nossas interações podem ser danosas, ainda que não se cause dor ou se tire a vida deles, e ainda que nem nós, nem eles se dêem conta disso. O valor da vida de cada ser que é um centro psicológico da sua própria vida, depende somente do valor que tal sujeito dá a sua vida. Eles possuem então, segundo o filósofo Tom Regan, valor inerente (inerente àquela vida, inerente àquele ser), não podendo ser mensurado por nós humanos, mas somente por aquele que vive tal vida. A vida de um porco importa tanto para ele quanto a minha para mim ou a sua para você. Por esta razão, a vida com valor inerente tem valor categórico (todos têm valor máximo) e todos os que a possuem têm igual estatura moral.

Então, não somente abates sem dor violam este princípio, mas também circos, exibição de mamíferos aquáticos e criações comerciais de animais de estimação, por exemplo. É bem verdade que na grande maioria dos casos, por exemplo, em circos, envolve intensa dor e sofrimento, o modo como são tratados os animais. Mas ainda que não haja sofrimento (como se não houvesse), há algo alí que viola o princípio da igualdade. Os animais que ali estão, naquelas jaulas, foram privados do que sua natureza biológica necessita de mais básico. Sensações psicológicas como medo, estresse, pânico e ansiedade são provocados pela privação da liberdade natural, realidade comum a todos os animais não-humanos nessas condições. Animais estes, privados de sua natural liberdade, são forçados a alimentar-se e "movimentar-se" inadequadamente, por viverem confinados a espaços extremamente limitados. Algo muito diferente do que seria a vida em seu habitat natural. Elefantes, por exemplo, na África, estão acostumados a viver em um território de 800 Km de extensão , em seu habitat natural, e vivem sempre em manadas, onde os filhos aprendem com os pais a proverem o seu sustento. Basta nos imaginarmos nesta mesma situação para entendermos porque isto é uma violência ainda que aparentemente não cause dor.

A mesma coisa acontece com a criação comercial de animais domesticados. Muitas vezes, o dano não é percebido no exato momento, por aquele que está a sofrer. Cães e gatos são tratados como se tivessem não valor inerente, mas sim um valor instrumental (são considerados mercadorias pelos humanos e só têm valor enquanto satisfazem interesses econômicos ou estéticos dos humanos), além de serem privados de todas as suas interações naturais, com membros da mesma espécie. São privados de conviver em bando e a mãe é privada de ensinar os seus filhotes. O espaço é pequeno e impróprio para suas patas. Os filhotes irão depois ser vendidos como mercadorias e muitas vezes trancados em apartamentos ou em quintais com correntes, impedindo de procurar os nutrientes (não só biológicos, mas psicológicos também) que realizariam sua existência enquanto indivíduo de tal espécie. Psicologicamente, isto funciona como uma violência que na maioria das vezes, leva estes indivíduos a terem pertubações, stress, pânico e tédio.

Basta imaginar como nos sentiríamos estando no lugar deles. Basta imaginar viver 24 horas por dia numa vitrine, ou numa corrente, ou num cercado com 2 metros quadrados (quando muito), sendo vendido e separado não só da sua mãe, mas de todos os indivíduos da sua mesma espécie. Basta imaginar que um alienígena fizesse isso conosco para tirar a fácil conclusão racional que esta prática é tão eticamente injustificável quanto infligir dor a outro sem ser para aliviar uma dor maior. Causaria uma mobilização mundial, caso isso fosse feito com bebês humanos. Imagine: "Vendem-se bebês humanos. Temos dóceis, bravos, loiros, negros, morenos, com pouco ou muito cabelo. Vendem-se acessórios, como correntes e talco".

Se não admitimos em nós, não há nada que justifique causar a mesma coisa no outro, nem mesmo argumentos econômicos. E isso independe de todos passarem a respeitar o princípio ou não. Independe se vamos mudar o mundo ou não. Consideramos algo injustificável. Não há um bom motivo para fazermos tal coisa. Então, não o devemos fazer. Se gostamos de utilizar do nosso raciocínio, então agimos de acordo com o que racionalmente, podemos defender e justificar.

Certa vez, um criminoso foi preso por estuprar uma criança. Quando ele foi preso, alegou que "Mas, mesmo eu parando de estuprar, outras pessoas vão continuar. Outro criminoso iria estuprar a mesma criança". Será que é válida a afirmação do criminoso como justificativa? Se não admitimos uma justificativa dessas no caso de um estupro de uma criança humana, por que admitimos no caso da morte e exploração de seres não-humanos?

Conseguiremos finalmente deixar de lado o preconceito irracional conhecido como especismo e começaremos a usar, finalmente, um pouco do nosso raciocínio, que (dizemos) que temos?

Os animais existem para seus próprios propósitos. Não foram feitos para os humanos, definitivamente.

AUTOR: Luciano Carlos da Cunha 
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FELIPE, Sônia T. . Valor inerente e vulnerabilidade: critérios éticos não-especistas na perspectiva de Tom Regan. Revista Ethic@, Florianópolis, UFSC, v. 5, n. 3, p. 125-146, 2006.

REGAN, Tom - Jaulas Vazias: encarando o desafio dos direitos animais; tradução Regina Rheda ; revisão técnica Sônia Felipe, Rita Paixão - Porto Alegre, Rs: Lugano, 2006.

SINGER, Peter. Ética Prática. 3ª ed. Trad. Jefferson L. Camargo. São Paulo, Martins Fontes, 2002.
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Por que me tornei vegano?

Título Original: A galinha sem cabeça, A lenda de Greystoke (Tarzan) e o Filme Matrix

Eu devia ter uns 6 anos e estava passando uns dias na chácara do irmão do meu padrinho. A mulher do homem ia preparar macarronada com frango para o almoço. Era um dos meus pratos preferidos. Então vi a mulher no quintal caçando as galinhas com um facão na mão. Ela agarrou uma e passou o facão no pescoço desta. Eu nunca vou esquecer daquela cena de agonia e sofrimento. A cabeça ficou dependurada um tempo, a galinha se debatendo, de repente se desprendeu e eu vi aquele corpo sem cabeça cambaleando pelo quintal e aquele sangue escorrendo, até que o ultimo sinal vital fosse apagado do sistema nervoso.

Eu não comi frango naquele dia e fiquei muito pensativo. Tinha algo de errado naquilo. Não podia estar certo causar tanto sofrimento a um animal, em troca de sustentar uma pessoa, já que podíamos substituir aquela mistura por outras. Aquilo me pareceu muito desumano.

Mas a sociedade nos envolve com seus hábitos desde que somos pequenos. Seria um caso raríssimo não aderir. Passado algum tempo tentei esquecer o que senti naquele dia e ser normal como os outros. É muito difícil pra uma criança ter resistência para ser diferente do que o seu meio impõe. Não me preocupar com o bicho, apenas comer a mistura, afinal, todos a minha volta comiam e diziam ser necessário para não adoecer e me explicaram que Deus criou os bichos para nos servir de alimento. Essa era a missão deles.

Devia ter uns 12 anos e estava lendo um livro de um guru Indiano e nunca esqueço daquele parágrafo: "que o mundo estava criando uma egrégora de dor, de karma negativo devido a tanto sofrimento causado aos animais. Há um genocídio cometido todos os dias, principalmente na região das grandes metrópoles e que o efeito desse karma era a violência urbana que aumentava cada vez mais nestes centros."

Eu senti no coração que aquilo tinha algum fundamento. E a partir daquele dia as duvidas começaram a rondar meu coração. Mas já acostumado com a dieta carnívora, continuava comendo carne. Anos depois tive um curto namoro com uma garota vegetariana, que as vezes ia nos festivais dos "Hare-Krishna" e ela me dizia sobre as vantagens espirituais de ser vegetariano. Eu achei legal, mas ainda assim, não comprei a idéia.

Devia ter uns 20 anos quando, num final de semana, estava sózinho em casa e comprei carne pra cozinhar. Tava com vontade de comer "picadinho". Ia dar uma de cozinheiro de primeira viagem. Não devia ser tão difícil cozinhar aquilo. Quando comecei a cortar a carne, e vi nas minhas mãos o sangue que vinha dos tecidos do que antes era um ser vivo e agora era um cadáver na minha frente, que com certeza tinha sido abatido naquele desespero que uma vez vi num filme, não sei... de novo aquela sensação de quando eu era criança, que aquilo não estava certo. Aquilo não era somente "a mistura". Era o corpo de um ser, que tivera antes vida e sentimentos. Que foi torturado e abatido violentamente nos gemidos de agonia.

Quando a gente come a carne já preparada por outrem, ou mesmo num fast-food ou restaurante, nem percebemos direito o que estamos patrocinando e o que aconteceu até a carne chegar ao nosso prato. Mas quando eu estava a cortando ainda crua, nossa! Me deu uma aversão ao que tava fazendo, mais um sinal que meu espírito não concordava com aquilo.

Desisti. Guardei tudo num pote e coloquei no congelador. Quando minha mãe chegasse ela continuaria com aquela tarefa ingrata, pois ela já estava acostumada. Era melhor eu nem pensar no assunto, para não voltar aquelas reflexões de quando eu era mais novo. Era melhor assim, sem pensar muito. É melhor se manter normal, igual aos outros, comendo carne sem nenhuma culpa do que refletir a fundo sobre o assunto. Mas os dias se passaram, e o assunto me atordoava sempre. No fundo eu sentia que era mais cosmo-ético ser vegetariano. Eu tentava por alguns dias, mas logo vacilava devido a vaidade dos nossos tempos...

Tinha que ser bem sucedido. Um homem de sucesso na sociedade não pode ser franzino, tem que ter porte atlético, ser forte e musculoso. É isso que a sociedade impõe. A receita mais comum os caras já falavam no colégio: muita carne e proteína animal, leite e os suplementos.

Minha mãe fazia o bife, o filé de frango, o picadinho e o frango cozido com pimentão. Eu bloqueava qualquer pensamento de o que tinha acontecido antes da mistura chegar a meu prato. Não queria saber se era responsabilidade minha. O grande lance era eu comer e cultuar meu porte atlético para ser bem aceito na sociedade.

Foi nessa época que eu assisti aquele Filme "Greystoke - A Lenda de Tarzan", passou na Tv um dia a tarde. Ele aborda a questão dos animais de uma maneira bem tragica, que depois dese filme eu nunca mais fui o mesmo. Por que as pessoas são tão cruéis? Será que de certa maneira eu também não o era? Será que os valores tão materialistas desta sociedade não são equivocados? Será que de fato, não estão todos errados sobre a necessidade de comer carne, e são todos cúmplices do sofrimento que acontece nos matadouros?

Já se passaram muitos anos desde que vi a galinha sem cabeça, desde que li o livrinho do sábio hindu, desde que cortei carne pela primeira vez e assisti Greystoke. Enquanto isso aprendi uma coisa muito interessante: A gente procura as respostas fora, num livro, numa religião, num possível mestre. Mas o melhor lugar para procurar as verdadeiras respostas é dentro da gente.

Conheci muitas pessoas desde então, e não demorou pra eu perceber que algumas pessoas tem uma cabeça e uma vida muito  medíocre e por mais que hajam bons argumentos  que lhes façam refletir e assimilarem novos consensos, preferem ficar presas ao marasmo social. 

Parece que estão no "piloto automático" achando que estão vivendo sua vida plenamente, somente porque estão o dia todo ocupadas. Muito poucas param um minuto para refletirem em quem verdadeiramente são e o porque estamos aqui neste mundo. Percebi a violência e a desonestidade - os valores começaram a mudar pra mim. Não era mais tão importante a pessoa ser rica, de porte atlético, ter uma Faculdade, bom emprego. Esse "status" passou a ser menos importante do que o caráter ou a inteligência emocional, ou em outras palavras: as virtudes.

Apesar que o que impera hoje é a falta de humanidade. Por exemplo: ninguém (ou quase ninguém) tem solidariedade para com uma criança que esta jogada na calçada. As pessoas passam e desviam sua direção para não tropeçarem. Não querem pensar no assunto. Não podem fazer nada a respeito porque não têm tempo para isso. E algumas pessoas até exageram: além de acharem normal, até tropeçam na criança e fingem que não aconteceu nada (já vi isso). Percebi que a Ética humana esta posta de lado e o valor da vida é banalizado.

Outra cena que não esqueço foi na praia de Copacabana, em 2006, um rapaz cego, morreu afogado. Seria motivo para alguma comoção dos transeuntes? O corpo foi embrulhado com sacos pretos, e turistas sorrindo tiravam fotos ao lado do corpo como querendo guardar de recordação e se aquilo, o corpo na areia, era só um detalhe. Apenas mais uma cena em que se retrata a banalização da vida.

Eu nunca achei que uma criança dormindo no chão fosse algo normal. Da mesma maneira nunca me convenci totalmente que matar um animal para comer, fosse algo necessário, visto as opções que existem. Então foi ficando óbvio: muitos dos valores da sociedade são patológicos.

Quando eu era criança eu tinha minhas respostas e verdades. Mas o mundo fez eu achar que eu estava errado, que eu tinha que anular o que sentia e seguir o padrão dos outros. Então depois de adulto me dei conta: eu era um cara mais esclarecido e inteligente emocionalmente, quando eu tinha 6 anos.

Foi então que me tornei vegetariano convicto. Não estava certo fazer os animais sofrerem nos matadouros e eu sabia que isso sempre acontecia: mesmo sem eu estar presente, eu era um dos patrocinadores. Não queria mais ser conivente com isso. É óbvio que isso é desumano. Só não vê quem não quer. Estão todos cegos, seguindo o grande fluxo da sociedade e nem pensam no que estão fazendo. Tem aquele site www.meatrix.com que tem uma analogia bem interessante com o filme "Matrix", porque é bem isso mesmo, as pessoas estão presas à "MEATRIX".

Eu ainda tomava leite, comia muito queijo, comia meia dúzia de ovos por dia. Afinal tinha que manter consumir muita proteínas, se eu não for de porte atlético não serei bem aceito pela sociedade. Afinal tiravam o leite da vaca , mas ele ficava viva. E as galinhas davam os ovos e pela lógica deveriam mantê-las vivas.
Eu passei férias numa fazenda quando era pequeno. Via os caras tirando o leite da vaca de manhã, depois elas ficavam o resto do dia pastando. Não era tão cruel assim. E roubavam os ovos dos ninhos das galinhas, mas elas tinham ninhadas de vez em quando e ficavam o dia todo ciscando no grande terreno. Os ovos para mim, ainda não estavam fecundados e não havia nenhum embrião. Achava estar sendo coerente e amigo do reino animal.

Leigo engano meu, como muita gente também o faz. Os tempos são outros e a exploração animal agora é Industrial. Se virmos um pouco além do estojo de ovos no mercado, e as caixinhas longa vida de leite, vamos ver outras crueldades tão absurdas quanto a matança: As prisões e a tortura do holocausto animal. As "penosas" e os "porcos" por exemplo, ficam em pequenos espaços, os animais as vezes se amontoam uns sobre os outros em meio ao estrume e são obrigados a consumidor muito hormônio e aumentam de peso tão rápido que muitos, devido as pernas fracas, não conseguem agüentar tanto peso. Acabam deformados e se arrastando sobre o estrume dentro das prisões.

Com as vacas o mesmo. Tomam tanto hormônio para darem mais leite (e imagine quando deste hormônio é passado para o leite que você bebe) que muitas apresentam doenças crônicas. Quando precisam serem transportadas para o local do abate, seguem no caminhão do holocausto, sem poderem se mexer, sem água, sem comida, as vezes ficam assim durante horas. Depois escutam o mugido de morte dos companheiros e entendem que estão na fila do extermínio onde a tortura da prisão vai acabar, com um golpe de dor ou ainda, com várias fases de sofrimento (como acontece com outros animais: sufocamento, cozimento vivo etc).

E quanto aos vitelos: suas tripas são usadas como coagulantes dos queijos. Eles são separados da mãe e colocados em pequenos compartimentos sem poderem se mexer, para que músculos não se firmem e a carne fique macia. O chamado "baby-beef". Ficam presos assim, na cela até ganharem algum peso e serem abatidos cruelmente.

É isto que a maioria de nós patrocina todos os dias. Será que as pessoas não imaginam os gemidos do desespero? Não! Fingem que não sabem de nada. Preferem não pensar no assunto. Os produtores (exploradores dos animais) se enriquecem e agradecem se você preferir não pensar no assunto.

Não ta certo. Vamos todos, omissos ao mercado, comprar o embrulho de carne. Somos egoístas por natureza. "Que se danem os animais. Foram feitos pra isso mesmo." Engraçado, devia ser o mesmo pensamento tempos atrás, quando escravizavam os negros: "foram feitos pra isso mesmo". Hoje todos acreditam ter sido uma barbárie e um crime inafiançável.

Foi então que li um dia sobre a causa Vegana e percebi que tudo o que eu pensava tinha afinidades com um nome: vegans ou veganos. E quando comecei a assistir os vídeos da internet sobre o assunto, vendo claramente como era a tortura e matança dos animais, caíram todas as fichas. Aderi no mesmo dia, sem nenhuma duvida. Decidi que pelo resto da vida, enquanto tiver forças, eu irei levar esta causa adiante.

Temos muitos problemas em nosso país: corrupção, violência, desemprego. Ninguém esta se alienando disso. Mas ao pensar em quantos milhares de animais sofrem todos os dias, nos rios de sangue, faz refletirmos e fortificarmos nossa vontade de esclarecer as pessoas sobre como estão sendo coniventes com o genocídio animal. Particularmente: acredito que o sofrimento imposto aos animais atraia para a sociedade uma forte energia negativa, que se manifesta em muitos dos problemas sociais como o da violência.

O que acontece antes de comprarmos o embrulho de carne no açougue ou no mercado? Tenho certeza que muitos, se virem alguns vídeos, se pensarem um pouco no assunto, vão entender o porquê da causa Vegan.

Ouvi muitas vezes: "- Não podemos viver sem carne! Mulher precisa de Ferro para o sangue..." Da mesma maneira durante séculos o Sol girava em torno da Terra e dizer o contrário era ser herético. Da mesma maneira durante anos o Merthiolate era eficaz para os machucados. Falando sobre o filme: "Matrix", é mais ou menos isso que penso: estamos presos numa "Matrix". Talvez não igual a do filme, mas uma "Matrix" do comportamento social, na maneira de pensar e das lembranças presentes no nosso DNA.

Eu acredito que, no início é difícil se livrar de tudo que nos foi passado durante anos e até geneticamente. Mas é só o programa rodando. O programa foi alimentado durante anos. Mas você pode muda-lo. Você é um computador com Windows. Tem o programa rodando. Mas você pode mudar o programa. Pode fazer up-grades, pode até formatar o HD e instalar Linux. No início é difícil, mas depois vem uma gratificação interior incrível e você começa a ver que estávamos mesmo presos ao "programa". E que a maioria das pessoas é cúmplice de um crime horrível que acreditam ser normal. 

Problema de anemia? Nunca tive. Pelo contrário, um exame uma vez mostrou excesso de ferro (comia muito melado de cana e só uso açúcar mascavo e arroz integral). Eu já não comia nada que tivesse gordura, frituras, etc. Quando deixei o leite e ovos, de ínicio percebi que minha unhas ficaram enfraquecidas e a pele e cabelos ressecados. Então entendi que: para ser vegano, precisava me alimentar melhor. Para proteína vegetal eu encontrei o tôfu e a proteína texturizada de soja, além dos triviais feijão, milho e vagem. As gorduras também são importantes para uma boa saúde (e eu fiquei com uma carência critica de gordura) então comecei a comer castanhas, amendoim, azeite, abacate, chocolate (eu misturo chocolate da garoto - sem leite - com soja-sheik de coco). E frutas são muito importantes, sendo que eu quase não comia antes. Depois desta fase, estabilizei e minha saúde continua ótima ou até melhor que antes. Eu tive outro problema no começo:  cortei várias vezes o dedo (de leve) com a faca, devido não ter muita habilidade para descascar frutas. Mas agora já estou craque.  Também percebi que não foi só meu metabolismo que mudou. Parece que tem um processo espiritual envolvido, não sei dizer ao certo mas foi algo como uma harmonização do meu ser, das minhas atitudes com o meu inconsciente (aquele que a gente esconde lá dentro) e uma maior reflexão sobre as questões da vida.

Os filhos e descendentes de um Vegano tenho por convicção (não sou geneticista) já terão um DNA mais relacionado com este tipo de regime alimentar. A primeira geração é difícil, devido aos nutrientes que nos habituamos desde sempre. Alguma falta destes pode sim comprometer a saúde se não substituídos corretamente. Por isso é interessante procurar no início um bom nutricionista.

Mas, somos inteligentes e podemos estudar sobre o assunto. Podemos ter uma dieta rica em frutas, grãos e cereais e assim encontrar todo os nutrientes que estamos acostumados. Com o tempo nosso organismo se habitua e você percebe a diferença. Por exemplo: fezes mais sólidas, digestão mais fácil, menos ocorrências (ausência?) de doenças ligados ao aparelho digestivo. (Para saber mais, acesso o site veganos.org.br e tenha mais idéias sobre o que comer).

Para ser Vegano, realmente é preciso estudar sobre o assunto. Eu não sabia que é indispensável termos consumirmos vitamina B12 e que ela não é encontrada em vegetais. Além disso, o álcool mata bactérias do sistema digestivo que poderiam fabricar certas vitaminas essenciais como a B12. Continuo tomando bebida alcoólica (moderadamente), mas me preocupo agora em consumir produtos enriquecidos com esta vitamina.

Fica aqui nosso convite. Pense a respeito, assista uns 3 vídeos na internet sobre o assunto. Não queremos que ninguém faça um "estupro psicológico" para aderir a causa.

Se achar que não é seu momento, tudo bem. Se já for vegano  nos ajude a divulgar a causa e esclarecer as pessoas sobre nosso ideal usando camisetas, boné, adesivos, etc.

Se você for cristão, lembre-se daquela passagem: "A cada um segundo suas obras" e "Deus não quer sacrifício e sim misericórdia". Pense se você não é conivente com o massacre dos animais.

Se você simpatiza com alguma filosofia Oriental ou Espírita, lembre da Lei do Retorno, a Lei do Karma, Lei de Causa e Efeito... não dizem ser justa e implacável? Você não estará criando causas negativas ao ser cúmplice com o massacre dos animais?

Se você não é de nenhuma religião desse tipo, mas for apenas uma pessoa "Humana", fica aqui apenas uma pergunta: O que nos torna humanos? Em qual momento isso acontece? Qual adjetivo nos qualifica como mais evoluídos que as outras espécies?

Muitos de nós não pensamos. Apenas consumimos e estragamos a natureza a nossa volta. Perdemos em algum momento muito da inteligência emocional e da ternura humana. Perdemos o discernimento e vivemos num consumismo alienado, que esta acabando com o planeta em que vivemos, e que nossos filhos viverão. Perdemos o discernimento do que é certo e ético. Não condiz com o sentimento humano, ver um animal sofrer e ficar indiferente (ou pelos menos, não deveria ser assim).

Eu as vezes penso que: ser vegano  é apenas dar um passo para um nível melhor de evolução ao praticar o fraternismo maior. Muitos acreditam que estamos aqui, confinados neste corpo e neste planeta, exatamente para isso: termos os aprendizados necessários para nossa evolução. Eu acredito nisso e tenho convicção que sermos fraternos faz parte inevitável deste processo.

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Metade das emissões de gases de efeito estufa do Brasil vem da pecuária


Estudo elaborado por 10 cientistas brasileiros revela que as emissões de gases estufa da pecuária bovina no período entre 2003 e 2008 para os biomas Amazônia e Cerrado variam entre pelo menos 813 milhões de toneladas de CO2-equivalente (CO2e) em 2008 (menor valor) e pelo menos 1,090 Gigatonelada de CO2e em 2003 (maior valor).

A equivalência leva em conta o potencial de aquecimento global dos gases de efeito estufa e calcula o quanto de CO2 seria emitido se todos os gases fossem esse gás.

A emissão total associada à pecuária da Amazônia varia entre 499 e 775 milhões de toneladas de CO2e, e do Cerrado, entre 229 e 231 milhões de toneladas de CO2e. No resto do país, as emissões do setor variam entre 84 e 87 milhões de toneladas de CO2e. Em termos gerais, os números representam praticamente a metade das emissões de gases de efeito estufa no Brasil.

O estudo foi realizado sob a coordenação de Mercedes Bustamante (UnB), Carlos Nobre (INPE) e Roberto Smeraldi (Amigos da Terra – Amazônia Brasileira) e com a participação de Alexandre de Siqueira Pinto (UnB), Ana Paula Dutra de Aguiar (INPE), Jean P.H. Ometto (INPE), Karla Longo (INPE), Laerte Guimarães Ferreira (UFG), Luís Gustavo Barioni (EMBRAPA), Peter May (Amigos da Terra – Amazônia Brasileira).

De acordo com o estudo –a ser lançado na Conferência do Clima em Copenhague no próximo dia 12–, a maior contribuição às emissões da pecuária se deve ao desmatamento para formação de novas pastagens na Amazônia, que atinge em média 3/4 do total do desmatamento neste bioma.

No Cerrado, os pesquisadores detectaram que cerca de 56% do desmatamento no período resultaram também em implantação de novas pastagens.

Os pesquisadores analisaram as três fontes principais de emissão: desmatamento para formação de pastagem e queimadas subsequentes da vegetação derrubada; queimadas de pastagem e fermentação entérica do gado. O estudo, porém, não considera emissões de solos de pastagens degradadas, da produção da ração de grãos usada no confinamento, do transporte do gado e da carne, e das unidades industriais dos frigoríficos, o que torna os valores “conservadores” , dizem os cientistas.

Também não foi considerado o desmatamento para formação de pastagens em outros biomas além de Amazônia e Cerrado. Já nos casos das emissões das queimadas de pastagem e da fermentação entérica foram contabilizados dados para todo país.

As conclusões do estudo também apontam para o potencial de redução de emissões de gases estufa oferecido pela pecuária no Brasil. O fato de quase a metade das emissões totais brasileiras de gases de efeito estufa se concentrar em um único setor constitui a mais importante oportunidade de mitigação brasileira.

- A agropecuária está no centro das mudanças ambientais globais tanto por sua contribuição para as emissões como pelo fato de que uma das formas mais significativas de como a mudança climática global afetará a economia é através de seus efeitos na agricultura - avalia Mercedes Bustamante (UNB), coordenadora da pesquisa.

Para ela, a redução dos impactos ambientais com melhoria da provisão de serviços (positivos) e bens demandará a coordenação de políticas agrícolas e ambientais e o incentivo à geração de conhecimento e ao uso de tecnologias adequadas.

Governo e sociedade

O estudo oferece uma série de recomendações de políticas de mitigação que podem ser implementadas por gestores públicos e privados. A maioria dessas políticas oferece oportunidades para atingir benefícios sociais, econômicos e ambientais complementares e adicionais aos da mitigação da mudança climática.

- O Brasil deve caminhar para uma agricultura integrada ao ambiente tropical, científica e tecnológica, que, ao mesmo tempo em que aumenta sua eficiência, diminui seu impacto ambiental, inclusive quanto às emissões - sugere o climatologista Carlos Nobre (INPE), que também coordenou a pesquisa.

Segundo Nobre, as opções de mitigação decorrentes do setor são significativas e “não implicam o corte na produção atual” e ainda podem ser compatíveis com um aumento moderado da produção. As fontes da mitigação incluem a redução do desmatamento, a eliminação do fogo no manejo de pastagens, recuperação de pastagens e solos degradados, a regeneração da floresta secundária, a redução da fermentação entérica, integração lavoura-pecuá ria, entre outros.

O estudo lembra que um grande desafio para as políticas públicas relaciona-se à redução da expectativa de impunidade nas práticas de ocupação de terras da União, bem como nos crimes e nas infrações ambientais: a falta de implementação nas políticas de comando e controle nestas áreas desfavorece investimentos em recuperação de terras degradadas, reflorestamento associado à intensificação e criação de manejo sustentável de pastagens em longo-prazo nas unidades de produção existentes. Há uma relação clara entre essa impunidade, a especulação fundiária desenfreada e a degradação das florestas, especialmente na Amazônia, destaca a pesquisa.

Em nível internacional, torna-se claro que o estabelecimento de uma abordagem ampla, sustentável e de longo prazo do tipo REDD (Plus) – incluindo todas as formas de carbono florestal, desmatamento evitado, conservação dos estoques florestais e regeneração da vegetação nativa e de pastagens – poderia favorecer expressivamente a transição necessária para um setor pecuário de baixo carbono no Brasil (e em outros países).

Emissão por produto custa mais que o produto em si

Conforme o estudo, a criação de capacidade industrial (grandes frigoríficos) deve ser vinculada a zoneamento adequado, com base em critérios territoriais e biofísicos, uma vez que ela foi o principal motor para a expansão descontrolada e sem precedentes da atividade pecuária, na parte central da década atual. Na opinião dos cientistas, esta é uma função crítica do governo, não apenas porque o zoneamento requer intervenção regulatória, mas também porque a maioria dos financiamentos para este segmento vem de bancos de desenvolvimento estatais.

Medidas para aumentar a organização e a transparência dentro da cadeia de comércio facilitariam a adoção de remuneração seletiva, essencial para estimular e premiar os investimentos por parte dos criadores. Além disso, o papel do varejo é fundamental, pois é o segmento onde a maior parte do valor é agregado. Por isso, a adoção de políticas mais sustentáveis de compra e fornecimento pode ter impacto significativo sobre a cadeia produtiva.

No entanto, o estudo considera que é importante que as políticas de fornecimento sejam baseadas em critérios transparentes e que contemplem devidamente o objetivo de melhorar o balanço de GEE dos produtos, em vez de meros critérios negativos de exclusão, como simples listas negras. Além disso, políticas de fornecimento deveriam ser apoiadas por efetiva rastreabilidade, assim como por sistemas de verificação ou certificação independente por terceiros.

- Com base no estudo, constatamos que o custo das emissões de carbono por unidade de produto supera o próprio custo do produto no atacado - avalia Roberto Smeraldi, da ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, co-autor do estudo.

Segundo Smeraldi, a sustentabilidade econômica da indústria da carne requer drástica queda em carbono-intensividade, e as recomendações do estudo mostram que isso seria perfeitamente possível.

Jaime Gesisky - jornalista - 10/12/2009

Fonte: http://blogdaamazonia. blog.terra. com.br
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